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Presidente Lula faz primeira visita de Estado à Colômbia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou na noite desta terça-feira à Colômbia (23h00 horário local, 02h00 horário de Brasília) para tratar de comércio e cooperação na fronteira entre os dois países, considerada um ponto estratégico no narcotráfico sul-americano. Lula já esteve três vezes na Colômbia, mas esta é considerada a sua primeira visita de Estado, porque o presidente tratará essencialmente da agenda bilateral. O presidente chegou acompanhado do ministro interino das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro, o ministro da Justiça, Márcio Thomáz Bastos e o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda. Nas viagens anteriores, Lula esteve em outras cidades colombianas e encontrou-se informalmente com o presidente Álvaro Uribe. Desta vez, ele será recebido com honras de chefe de Estado, receberá a chave de Bogotá do prefeito da cidade e visitará o Congresso e a Suprema Corte. Durante a visita, deverão ser assinados acordos de cooperação policial na área da fronteira,que, segundo fontes do Itamaraty, vão formalizar uma cooperação que já existe nos 1,6 mil quilômetros divididos pelos dois países. Para o jornalista colombiano Francisco Celis, do diário El Tiempo, no entanto, a Colômbia não está inteiramente satisfeita com o grau de cooperação da parte do Brasil. "A percepção que se tem na Colômbia é que o Brasil faz vista grossa ao que se passa na fronteira", diz Celis, referindo-se ao suposto uso do território brasileiro para operações das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Uma das principais reivindicações do governo colombiano nesse sentido é a utilização dos dados coletados pelo Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia). Fontes do Itamaraty dizem, porém, que "a bola está agora na quadra deles (colombianos)". O único entrave é, segundo essas fontes, o custo dessas informações, que a Colômbia não estaria disposta a pagar. Uma possível solução seria a compra desses dados no âmbito do Tratado da Cooperação Amazônica, que permitiria que a Colômbia dividisse com outros países andinos interessados o custo do uso do Sivam. Chávez Celis diz não acreditar que a proximidade entre Lula e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, constitua um problema nas relações entre Brasil e Colômbia. Para o jornalista, desde que foi eleito, em 2002, o presidente brasieiro se distinguiu do colega venezuelano tanto no estilo como nas políticas econômicas. "Lula tem um esquerdismo mais sossegado, menos estridente (do que Chávez)", afirma Celis. "Chávez proclamou uma revolução e a está implementando; Lula, com suas políticas econômicas, se parece com qualquer governante liberal." Além disso, argumenta o jornalista, Lula "perdeu" a liderança sul-americana com a crise política brasileira e com isso se diluíram os temores de um eixo da esquerda, formado por Brasil, Venezuela e Argentina (do presidente Néstor Kirchner), na região. A visita de Lula ocorre poucos dias depois do fechamento de um dos maiores negócios já feitos entre os dois países - a compra pelo Ministério da Defesa da Colômbia de 25 aeronaves militares Supertucano da Embraer por US$ 234 milhões. A venda vinha sendo negociada há oito anos e será efetivada em três etapas, a primeira delas em 2006. Para efeito de comparação, o comércio entre os dois países, com a balança sempre favorável ao Brasil, deverá gerar US$ 1,2 bilhão neste ano. Outro avanço recente nas relações comerciais entre os dois países se deu com a entrada em vigor do acordo entre Mercosul e a Comunidade Andina. O bloco sul-americano, liderado por Brasil e Argentina, aceitou que os produtos dos países andinos fossem "desgravados" primeiro, ou seja, que tivessem suas alíquotas reduzidas antes que o mesmo acontecesse com as exportações do Mercosul. |
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