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Kirchner quer debate 'responsável' com Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente argentino, Nestor Kirchner, pediu responsabilidade e "muito critério" nas discussões comerciais entre o Brasil e a Argentina. Kirchner falou à BBC Brasil ao entrar no hotel Casino, em Puerto Iguazú, minutos antes da reunião com o presidente Lula. O encontro marca os 20 anos da relação bilateral que abriu caminho para a criação do Mercosul. “Esse é um tema que temos que resolver com muito critério, não é?”, disse Kirchner. “Com muita responsabilidade, temos que ver as assimetrias, a balança comercial e ir analisando, como governantes, com projeção estratégica, essa situação.” O “desequilíbrio” no comércio entre o Brasil e a Argentina, com déficit para o lado argentino, é hoje a maior queixa do governo Kirchner na relação com o Brasil. Os negociadores brasileiros e argentinos avançaram madrugada adentro nesta quarta-feira tentando encontrar uma saída diplomática para o pedido argentino de criação de salvaguardas, chamadas de Cláusula de Adaptação Competitiva (CAC). Essa sigla não deverá aparecer nos acordos que deverão ser assinados entre os dois presidentes, mas os argentinos vão insistir, segundo assessores, na implementação desta medida que atualmente limitaria as exportações de determinados setores do Brasil para a Argentina. Encontro com Lula Não se descartava entre os negociadores brasileiros que Kirchner tratasse das diferenças comerciais no encontro com Lula. Os dois têm um encontro a sós enquanto os ministros dos dois países realizam reunião para analisar os diferentes protocolos que ambos assinarão. Da reunião participam Antonio Palocci, da Fazenda, e a nova ministra de Economia da Argentina, Felisa Miceli. O presidente Nestor Kirchner respondeu sorrindo à pergunta sobre se ele gostaria que o Brasil ajudasse as finanças da Argentina comprando títulos da dívida pública do país. “Que bom, isso seria bem-vindo”, disse abrindo os braços. A informação de que o Brasil compraria bônus da dívida argentina foi publicada na terça-feira pela agência oficial de notícias da Argentina, Telam. Segundo a agência, o assunto seria tratado no encontro entre Lula e Kirchner. Mas o assessor especial da Presidência Marco Aurélio Garcia disse desconhecer que o tema seria tratado entre os dois presidentes. Na opinião do presidente Nestor Kirchner, a tendência é o Mercosul crescer, mas para isso, diz, é preciso que “volte a ter desempenhos brilhantes, como o que ocorreu na reunião de cúpula de Mar del Plata", quando o Mercosul, segundo ele, trabalhou em equipe e rejeitou a proposta de criação nesse momento da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Kirchner disse que depois que a Venezuela entrar para o Mercosul como membro pleno, outros países da região poderão seguir o mesmo caminho. “Agora estamos com a Venezuela, mas o Mercosul precisa ser mais amplo”, afirmou. “Temos que armar um esquema, uma fortaleza, uma coincidência para construir um bloco político e econômico de acordo com os movimentos que o mundo tem hoje e representando os interesses da América do Sul.” |
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