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Atualizado às: 28 de novembro, 2005 - 23h38 GMT (21h38 Brasília)
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Mercado argentino reage mal à saída de Lavagna

Roberto Lavagna
Mercado argentino reagiu mal à saída de Roberto Lavagna
A expectativa de que o presidente Néstor Kirchner passará a interferir mais na economia, logo após demissão do ministro da Economia, Roberto Lavagna, gerou nervosismo no mercado financeiro.

O índice Merval da Bolsa de Buenos Aires fechou, nesta segunda-feira, com queda de 4,48% e registrou volume recorde de venda de ações – 136,6 milhões de pesos.

O Merval, que mede os principais papéis da Bolsa, chegou a retroceder 5,80%, num claro sinal de rejeição ou surpresa, segundo analistas, à saída de Lavagna e ao temor de que o presidente definirá os novos rumos da economia. Por sua vez, o dólar fechou em alta, cotado a 3,02 pesos para venda.

"A reforma ministerial revela duas coisas: Kirchner passará a controlar o destino da economia", afirmou o cientista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos União para a Nova Maioria.

"E a nomeação de Nilda Garré (embaixadora da Argentina na Venezuela) para o Ministério da Defesa significa que a relação da Argentina com a Venezuela não é apenas econômica, mas de política estratégica”. Garré sempre defendeu maior aliança entre os dois países.

Última entrevista

Na sua última entrevista à imprensa, como ministro da área econômica, Lavagna confirmou que o presidente Néstor Kirchner lhe pediu, na manhã desta segunda-feira, que colocasse o cargo à disposição.

"O presidente me disse que deveria começar uma etapa diferente", disse o ex-ministro. "O presidente tomou a decisão em função do importante resultado eleitoral que obteve no mês passado", afirmou, referindo-se aos mais de 40% dos votos dados ao oficialismo na eleição legislativa de 23 de outubro.

Lavagna desconversou quando perguntado se sua saída estava ligada à denúncia que fizera, publicamente, de que havia cartel de preços no setor da construção e que poderia ser favorecido por setores do governo.

"Temos que nos colocar acima destas misérias", declarou.

Comentaristas de televisão, como Marcelo Bonelli, especularam que o ex-ministro estava criando "vôo próprio" e acabaria sendo concorrente do próprio Kirchner nas eleições presidenciais de 2007.

Na entrevista, quiseram saber o que Lavagna planeja para seu futuro: "Meu futuro é trabalhar para que a Argentina não perca a oportunidade que tem hoje".

Pouco antes, na mesma entrevista, ele agradeceu à "paciência e compreensão dos argentinos". E disse: "Viva os argentinos".

Lavagna foi aplaudido por seus assessores quando entrou e quando saiu da sala de entrevista, no quinto andar do Ministério da Economia. Sobre a alta da inflação, que superaria a meta estabelecida para este ano, passando a marca dos 11%, ele limitou-se a dizer que ficará dentro do que previa.

Roberto Lavagna passou quase quatro anos à frente da pasta, entre janeiro de 2002 e esta segunda-feira, e acabou elogiado por diferentes analistas da mesma área.

"Ele merece todo o reconhecimento por estes anos à frente da Economia. Lavagna ordenou o país depois da conversibilidade (quando o peso era atrelado ao dólar) e renegociou a dívida pública do país", afirmou o ex-presidente do Banco Central, Javier González Fraga.

Quando perguntado sobre o que espera da administraçao da nova ministra, Felisa Miceli, ele foi cauteloso: "Vamos esperar os anúncios dela para depois avaliar".

Felisa Miceli foi definida, pela imprensa argentina, como "produtivista" e "mais afinada com o projeto de distribuição de renda de Kirchner do que o próprio Lavagna".

Ela trabalhou na consultoria fundada pelo ex-ministro, responsável por levá-la para o governo e será a primeira mulher, na Argentina, a ocupar a cadeira de ministro da Economia.

Brasil

A saída de Lavagna "descomprimiu" e poderá adiar a discussão sobre a criação de um mecanismo para limitar as exportações setoriais entre os dois principais sócios do Mercosul, Brasil e Argentina.

Foi o agora ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, que sugeriu ao governo brasileiro a criação da polêmica Cláusula de Adaptação Competitiva (CAC) que seria acionada cada vez que um setor se sentisse prejudicado com a entrada excessiva de produtos similares do país vizinho.

Como a balança comercial hoje é favorável ao Brasil, a medida foi interpretada por negociadores brasileiros e o setor privado como a criação de "uma nova barreira" às exportacões brasileiras para a Argentina.

A poucas horas do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner, nessa quarta-feira, em Puerto Iguazu, na fronteira com Foz de Iguaçu, negociadores dos dois países consideram "quase impossível" que se consiga algum tipo de entendimento sobre este item.

Era Lavagna, recordaram, que insistia com essa medida, apoiada pelos industriais argentinos.

Mas com sua saída existe agora a incógnita se a proposta, que já vinha encontrado dificuldades para o consenso entre os dois governos e criticada, entre outros, pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), resistirá como esta, se será modificada ou talvez adiada.

Roberto Lavagna já se despediu do cargo, mas sua substituta, Felisa Miceli, poderia não ter tempo, nessas 48 horas, argumentam nos dois lados, para decidir os detalhes que geram impasse na discussão sobre a criação da CAC.

O mesmo ocorreria com o novo ministro das Relações Exteriores, Jorge Taiana, que ocupará o lugar de Rafael Bielsa e que também acompanhava o debate sobre as limitações às exportações.

Como disse um negociador argentino, "várias perguntas" ainda estão no ar e faltam poucas horas para a reunião entre Lula e Kirchner que marcará os vinte anos do lançamento do Mercosul – bloco que reúne ainda Paraguai e Uruguai.

O CAC faria parte da série de acordos – cerca de vinte – que serão assinados entre os dois presidentes, incluindo educação, área nuclear, tecnologia e facilidades para os imigrantes dos dois países.

66Corrupção
Argentina tem novo banco de dados sobre delitos econômicos.
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