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Atualizado às: 29 de novembro, 2005 - 14h31 GMT (12h31 Brasília)
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Linguagem confunde em documento da Igreja sobre gays

Padre
Alguns temem que nova política desencoraje jovens a se tornar padres
O documento divulgado nesta terça-feira sobre a nova política do Vaticano sobre homossexualidade e ordenação de padres está deixando muitos católicos confusos, especialmente devido à linguagem escolhida pela Igreja.

Publicado oficialmente nesta terça-feira, o documento de 1,3 mil palavras foi vazado para a imprensa há uma semana, quando uma agência italiana de notícias divulgou os detalhes em seu site.

No documento, o Vaticano desencoraja a ordenação de padres gays, a não ser que eles tenham apresentado uma "tendência transitória" e já a tenham superado há pelo menos três anos. Para o Vaticano, quem é ativamente gay, tem "profundas tendências homossexuais", ou apóia a cultura gay, não deve ser ordenado.

John Allen, o correspondente do Vaticano da revista Repórter Católico Nacional, afirma que o documento não define essas "profundas tendências homossexuais", deixando dúvidas sobre como elas diferem dos impulsos "transitórios".

Honestidade sexual

"A instrução nunca usa a palavra 'orientação' ou 'condição' para se referir à homossexualidade", disse ele. "Em vez disso, se refere a 'tendências', o que parece uma escolha deliberada, sugerindo que a homossexualidade é um impulso ou uma inclinação que pode ser revertida."

A escolha de linguagem do Vaticano também está intrigando alguns especialistas da própria igreja.

O padre Thomas Reese, um jesuíta da Califórnia, também questionou o uso da palavra "tendências".

"'Tendências' é o equivalente à 'orientação', ou significa outra coisa?", pergunta ele. "O documento nunca usa 'orientação', o que deixou muitas pessoas se perguntando por quê?".

Para o padre Reese, pelos ensinamentos anteriores da Igreja Católica, pode-se deduzir que "profundas tendências homossexuais" não são escolhidas, mas sim um instinto inato, ou uma constituição patológica incurável.

"É esta a definição do Vaticano de orientação homossexual?", pergunta ele.

"Alguns advogados canônicos e teólogos vão, sem dúvidas, argumentar que mesmo sob esta nova instrução um bispo ainda poderia ordenar um homossexual maduro e celibatário para se tornar padre."

Com a decisão de que casos individuais sejam resolvidos por bispos e outras autoridades religiosas, o Vaticano está pedindo aos candidatos a se tornar padres que sejam honestos sobre sua sexualidade.

"Máfia da Alfazema"

Não se sabe quantos padres gays existem hoje na Igreja Católica.

A questão provocou intenso debate nos Estados Unidos, onde as revelações sobre padres pedófilos levaram a um escândalo com repercussões em toda a Igreja Católica.

"Os bispos americanos desencorajaram pesquisadores a perguntar sobre orientação sexual porque eles sabem que os resultados se tornariam manchete nos jornais em todo o país", disse o padre Reese.

"Eles não sabem porque não querem que mais ninguém saiba. Como resultado, o Vaticano está tomando decisões sobre o quão apropriado é ordenar padres homossexuais, ignorando totalmente o número atual de padres homossexuais, o quanto eles observam o celibato, e quão bons eles são."

Já se falou muito na "subcultura homossexual" entre os padres, e uma "Máfia da Alfazema" que opera dentro da igreja americana. Alega-se que esta rede secreta promove uma agenda gay dentro da igreja e acoberta escândalos.

Michael Rose, autor de um estudo sobre um seminário americano chamado "Adeus, bons homens", acredita que os ensinamentos da igreja estão sendo minados.

"Um aspecto desta subcultura gay de padres e seminaristas é que muitos homens que querem permanecer castos, sejam gays ou não, recebem propostas, são assediados ou até molestados", escreveu ele em um artigo publicado recentemente no Dallas Morning News.

"Não se trata apenas de homossexualismo ou atos homossexuais. Se trata de uma agenda e subcultura que sistematicamente minam o celibato."

Alguns católicos acreditam que a orientação homossexual deveria desqualificar automaticamente candidatos a padre. Mas para outros, a questão é se o homem, independente de sua orientação sexual, pode permanecer celibatário e se tornar um bom padre.

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