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Lei espanhola que permite união gay é 'injusta', diz Vaticano | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Vaticano reagiu duramente ao primeiro desafio do novo papa, condenando o projeto de lei do governo da Espanha que permite o casamento entre homossexuais no país. Em entrevista ao jornal italiano Corriere della Sera, o chefe do Pontifício Conselho para a Família do Vaticano, cardeal colombiano Alfonso López Trujillo, descreveu a proposta – que provavelmente se tornará lei dentro de alguns meses – como "injusta". "Não se pode impor o que é iníquo às pessoas", disse o cardeal, que foi confirmado em seu cargo pelo papa Bento 16 na quinta-feira. "A Igreja faz um apelo urgente por liberdade de consciência e pelo dever de se opor." "Uma lei tão profundamente injusta como essa não pode ser uma obrigação. Não se pode dizer que uma lei está certa simplesmente porque é lei." O projeto, já aprovado pela Câmara Baixa do Parlamento espanhol dominada pelos socialistas, também permite a adoção de crianças por casais de gays. Perda do emprego O cardeal disse que as autoridades municipais que recebessem um pedido para realizar um casamento gay deveriam se recusar por motivos de consciência, mesmo que isso significasse perder o emprego. "Estou falando de todas as profissões ligadas à implementação (da lei)", disse o cardeal ao Corriere dela Sera. "Eles devem exercer a mesma objeção de consciência que se pede de médicos e enfermeiros contra um crime como aborto". "Essa não é uma questão de escolha: todos os cristãos devem estar preparados a pagar um preço alto, incluindo a perda do emprego." O projeto, se transformado em lei, fará da Espanha – um país profundamente católico – o primeiro país europeu a permitir que homossexuais adotem filhos. A Bélgica e a Holanda apenas permitem casamentos do mesmo sexo. O primeiro-ministro socialista espanhol, José Luís Rodriguez Zapatero, assumiu o poder há um ano deixando claro que pretendia acabar com o que chamou de vantagens inegáveis da Igreja e tornar a Espanha um país secular. Segundo o correspondente da BBC em Roma, Robert Piggott, Zapatero já deixou claro que pretende simplificar a lei do divórcio e até mesmo flexibilizar as condições para que seja feito aborto. |
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