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Atualizado às: 11 de novembro, 2005 - 11h26 GMT (09h26 Brasília)
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Último ano mostra que Arafat não era problema, dizem palestinos

Palestinos velam Arafat (foto de arquivo)
Morte do líder palestino, há um ano, causou grande comoção nos territórios
Os palestinos dizem que tudo o que aconteceu, no ano que se passou desde a morte de Yasser Arafat, mostra que é mentira que o líder era o maior obstáculo às negociações de paz.

Nos meses que antecederam a morte do presidente da Autoridade Palestina, muita gente – incluindo o presidente americano, George W. Bush e o premiê israelense, Ariel Sharon – disse que as conversas só iriam avançar quando Arafat saísse de cena.

Mas para líderes e analistas palestinos a situação só piorou desde a morte do líder histórico da Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

O principal negociador da Autoridade Palestina, ministro Saeb Erekat, diz que agora muita gente "deve pedir desculpas".

"Muita gente mundo afora disse que o problema era Arafat. Agora faz um ano que ele morreu e o problema continua aí", disse. "Agora as mesmas vozes dizem que o problema é Abu Mazen. Eles têm que olhar para o outro lado e perceber que o problema é a ocupação israelense."

Hamas

O grupo militante islâmico Hamas também rejeita a idéia de que Arafat era o grande impedimento à paz com Israel.

O grupo ficou em campo claramente oposto a Arafat quando o então líder da OLP assinou o Tratado de Oslo, reconhecendo a existência de Israel e abrindo caminho para as primeiras negociações de alto nível entre os dois lados.

Mas o porta-voz do Hamas no Líbano, Ossama Hamdan, diz que depois do início da Intifada (a luta armada dos Palestinos contra a ocupação israelense) a situação mudou.

"Nós (Hamas) e Arafat chegamos à mesma conclusão: de que teríamos que voltar à luta contra a ocupação para defendermos nossos direitos como palestinos", disse.

"Nós acreditamos que Arafat deu uma chance à paz mas ficou claro que o lado israelense não a queria. Quando Arafat percebeu que não havia nenhuma possibilidade real de paz, ele disse claramente 'não' aos isralenses e por isso ficou três anos confinado em seu quartel-general, sem nenhum tipo de apoio internacional".

Política

Ossama Handam diz que o aumento da pressão contra Arafat foi um dos fatores que fizeram o Hamas – originalmente apenas um grupo paramilitar – a se envolver mais nos negócios da Autoridade Palestina e dar um peso grande à atividade política.

"Durante os três anos em que Arafat ficou isolado, nossas posições foram se aproximando cada vez mais. Nos meses anteriores à morte dele já estávamos sentindo que poderíamos participar mais ativamente da Autoridade Palestina", disse.

A atividade política do Hamas acabou se refletindo na vitória de várias eleições regionais, principalmente na Faixa de Gaza. Em janeiro do ano que vem, o grupo vai fazer um novo teste de força nas eleições para o Parlamento palestino.

Hamdan admite que a ausência de Arafat vai facilitar a cooptação de potenciais eleitores do partido Fatah.

"Quando Arafat estava lá (na liderança do Fatah), muita gente só ouvia a ele e não percebia o que havia de errado. Agora as pessoas estão ouvindo diversas opiniões diferentes e podem pensar em outras possibilidades além do Fatah", disse.

Mahmoud Abbas

Para o porta-voz do Hamas, o atual presidente, Mahmoud Abbas, está quase tão isolado quanto Arafat quando ficou confinado ao quartel-general em Ramallah.

"Abu Mazen (apelido de Mahmoud Abbas) está isolado também. Ele não conseguiu nada quando foi para Washington no mês passado e até agora não há nenhum resultado prático das conversas com Ariel Sharon", disse.

"Mahmoud Abbas está sob um tipo de isolamento político. (Líderes internacionais) estão dizendo palavras bonitas para ele mas não estão ajudando em nada", disse.

O cientista político da Universidade Birzeit, na Cisjordânia, Hisham Ahmed diz que as expectativas criadas com a morte de Arafat trouxeram uma complicação adicional para Abbas, quando este último assumiu a presidência da Autoridade Palestina.

"Os israelenses não corresponderam a nenhuma das expectativas fantasiosas que eles criavam, ou pelo menos sugeriam, quando falavam da retomada de negociações quando Arafat não estivesse mais à frente dos palestinos", disse.

Hisham Ahmed diz acreditar que em poucos momentos a região esteve mais longe da paz do que agora.

"A ocupação está cada vez mais enraizada e o Estado Palestino cada vez mais distante", diz.

Administração

Ahmed observa, no entanto, que internamente a administração da Autoridade Palestina continua funcionando do mesmo jeito que funcionava sob Yasser Arafat.

"Claro que este vácuo foi preenchido e tudo continua operando como sempre. Mas há uma grande diferença entre ter Mahmoud Abbas ou Yasser Arafat como presidente", disse.

Mas o negociador Saeb Erekat diz que muito do que está sendo feito agora pela Autoridade Palestina já tinha sido iniciado pelo presidente Arafat.

"O programa de reformas continua acontecendo, os esforços para negociações de paz continuam e a reconstrução das forças de segurança continua. Nós temos que continuar com tudo, não há opção", disse.

Erekat diz que a morte de Yasser Arafat não o tirou completamente da cena política palestina.

"Os ideais de Arafat e o que ele fez continuam aqui e vão continuar a influenciar os palestinos por muito tempo."

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