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Atualizado às: 10 de novembro, 2005 - 13h15 GMT (11h15 Brasília)
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África inaugura maior telescópio do Hemisfério Sul
David Buckley, cientista de projeto do Salt, o Grande Telescópio Sul-Africano
David Buckley, cientista de projeto do Salt, o Grande Telescópio Sul-Africano
O maior telescópio do Hemisfério Sul foi inaugurado nesta quinta-feira na África do Sul.

Localizado em um planalto isolado, a quatro horas de viagem da Cidade do Cabo, na cidade de Sutherland, o Grande Telescópio Sul-Africano (Salt, na sigla em inglês) domina os arredores.

O lugar sempre foi o preferido para a instalação dos principais observatórios astronômicos da África do Sul, há mais de 50 anos, mas o novo telescópio é muito maior do que os outros sete que já estão no planalto.

A maior parte da verba para sua construção é sul-africana, mas ele se transformou "em um projeto simbólico para África", segundo David Buckley, cientista do projeto.

"(O telescópio) Une astrônomos de todo o continente e do resto do mundo."

Baixas temperaturas

O Salt fica na região árida de Karoo.

Ele tem 91 espelhos hexagonais e cem toneladas de metal, que são levantadas por meio de pistões.

"Projetamos o telescópio por uma fração do custo normal, sem perder em resolução. Nos concentramos em tornar o equipamento capaz de detectar luz com baixo comprimento de onda, então esta máquina é capaz de ver coisas que outros telescópios não conseguem", disse Buckley.

"Este telescópio pode detectar uma fonte de luz do tamanho da chama de uma vela na Lua", acrescentou.

A localização do telescópio também ajuda: fica a 1,5 mil metros acima do nível do mar, a centenas de quilômetros da cidade mais próxima.

Há pouca poluição atmosférica ou de outras fontes de luz, o que significa condições de observação quase perfeitas.

Jovens cientistas

Além de David Buckley, já estão trabalhando no observatório Sandisa Siyengo, estudante de física de 23 anos, junto com seu grupo de jovens cientistas negros.

"Durante décadas, sob o regime do apartheid, negros tinham uma educação abaixo do padrão. Sei qual o caminho percorrido pelo meu país e fico feliz por termos recebido a chance de nos envolver com ciência", disse Siyengo.

O telescópio custou ao governo sul-africano cerca de US$ 10 milhões (cerca de R$ 21,1 milhões). Os US$ 30 milhões (cerca de R$ 65,3) restantes foram pagos por universidades e institutos de pesquisa do mundo todo.

Mas algumas pessoas questionam se os US$ 10 milhões poderiam ter sido usados para pagar por outras necessidades educacionais do país.

"Muitas pessoas na África do Sul não têm acesso a escolas com livros. Gostaria de ver os milhões de dólares gastos neste projeto indo para o treinamento de mais professores e para a compra de mais equipamentos para escola", disse Sakkie Blanchay, porta-voz de ciências do Partido Aliança Democrática, de oposição.

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