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Atualizado às: 10 de novembro, 2005 - 18h27 GMT (16h27 Brasília)
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Argentina anuncia pacote contra inflação

Roberto Lavagna
Segundo economistas, objetivo de Lavagna é estimular oferta interna
O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, anunciou um pacote de medidas para tentar conter a escalada da inflação no país.

Ele determinou a eliminação dos chamados "reintegros" (devolução de imposto incidente sobre o produto exportado) às exportações de 200 produtos básicos, como carnes, peixes, leite, queijos, azeites e farinha, entre outros, além da redução das indenizações trabalhistas para diminuir os custos empresariais.

As medidas de Lavagna já eram esperadas e têm dois objetivos claros, segundo diferentes economistas: estimular a oferta dos produtos nacionais no mercado interno para atender o consumo dos argentinos, evitando as pressões contra os preços, e estimular o investimento empresarial no país.

Para o economista Mariano Flores Vidal, da consultoria IBCP, com esse quebra-cabeças econômico o ministro argentino tenta driblar a medida mais comum no combate à inflação: a alta dos juros.

Pressão inflacionária

"Esses 200 produtos que perderam esse incentivo às exportações têm forte demanda externa e pressionam o aumento dos preços no mercado argentino", disse o economista.

"Sem essa devolução do dinheiro aplicado na exportação, o empresário vai preferir vender para os argentinos."

Nos últimos dez meses, o Índice de Preços ao Consumidor, IPC, registrou alta de 9,8%. Muito acima do que era esperado, tanto pelo governo quanto pelos economistas.

No início do ano, as previsões oficiais eram de uma inflação de 7,9% para todo o ano.

O ministro argentino já admitiu que a inflação anual será de 11%, enquanto diferentes consultorias econômicas estimam que estará pouco acima desta previsão, em torno dos 11,5%.

A alta de preços é um dos fantasmas mais temidos pelos argentinos, que já viveram a hiperinflação nos anos 1980, que acelerou a renúncia do ex-presidente Raul Alfonsín.

Aquecimento

Hoje, diferentes economistas como Mariano e Orlando Ferreres, da consultoria Ferreres e Associados, entendem que o ritmo do crescimento econômico, além da questão das exportações, vem pressionando o incremento da inflação.

De janeiro a outubro, a Argentina acumulou crescimento econômico de 8,9%, segundo dados oficiais.

Desde agosto de 2002, quando começou a sair de sua pior crise política e econômica, até agosto deste ano, a Argentina acumulou crescimento de 30,4%.

Com essa expansão, a Argentina já recuperou – e superou – a queda de mais de 20% do PIB (Produto Interno Bruto) que registrou durante a recessão e a histórica crise (1998-2001).

A receita de Lavagna para combater a inflaçao foi anunciada após encontro com o presidente da Argentina, Nestor Kirchner, e duas semanas depois das eleições legislativas, com vitória dos candidatos do governo.

Pesquisa de opinião da Fundação Mercado divulgada esta semana revelou que para 53% dos argentinos os preços vão continuar subindo daqui até o fim do ano.

Outros 45% disseram acreditar que os preços vão ficar como estão e apenas 2% prevêem que cairão.

Fé no governo

Para o autor da pesquisa, o economista Oscar Liberman, o medo da inflação está levando os argentinos a consumirem menos e a pouparem ainda mais – poupar é hábito nacional, mas geralmente fora do sistema financeiro, como reconhece o próprio Banco Central.

Liberman ressalta que a pesquisa de opinião mostrou ainda que existe "grande otimismo" dos argentinos em relação ao poder do governo no combate à inflação.

Para o jornalista Daniel Fernández Canedo, do jornal Clarin, "resolvida a incerteza política, ficaram as dúvidas econômicas".

E, pelo jeito, no entendimento de analistas do mercado, Lavagna está tentando começar a resolvê-las.

Sobram outras dúvidas econômicas, segundo Canedo, como a renegociação do acordo do país com o Fundo Monetário Internacional, FMI – que Lavagna já disse que não é "imprescindível" – e a discussão dos contratos das empresas de serviços públicos privatizados.

Outra dúvida é sobre o desemprego, que está em queda, mas ainda em torno dos 10% e, segundo dados oficiais, com menores salários e contratos mais curtos.

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