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Candidatos de Kirchner saem vitoriosos de eleição | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Os resultados das eleições legislativas de domingo indicam, nesta segunda-feira, que os candidatos do presidente Nestor Kirchner venceram em quase toda a Argentina. E que Kirchner, segundo analistas, consolida seu poder no governo e no Partido Justicialista (peronista), partido que mesmo fragmentado é definido como a maior força política do país. A exceção mais evidente, na lista de vitórias eleitorais do presidente, foi a capital federal, onde o chanceler Rafael Bielsa, mesmo apoiado por Kirchner, ficou em terceiro. Nesse caso, o vitorioso foi o presidente do clube de futebol Boca Juniors, Mauricio Macri, destacado por analistas como o novo líder da oposição. Kirchner, que tinha batizado o pleito de "plebiscito" à sua gestão, venceu, por exemplo, na província de Buenos Aires, a maior do país, onde sua mulher, a primeira-dama Cristina Kirchner, soma até agora 44,5% contra 18,7% de sua concorrente, a ex-primeira-dama Hilda Chiche de Duhalde. Já foram apurados 51,8% dos votos nesta província. Câmara Apesar da vitória presidencial, diferentes analistas afirmam que Kirchner terá que negociar na Câmara dos Deputados para conseguir quórum para aprovar os projetos do seu governo. Entre os projetos do governo que deverão ser negociados estão a aprovação do orçamento de 2006 e reformas econômicas e políticas pendentes, segundo governistas e opositores, desde a eleição de Kirchner em 2003. A eleição renovou metade da Câmara e um terço do Senado Federal, num complicado sistema eleitoral de listas, no qual o vencedor faz o maior número de cadeiras no Congresso, mas nem sempre consegue maioria folgada. Além disso, apesar de não terem sido os mais votados, por esse sistema, Chiche Duhalde será senadora, assim como Carlos Menem, eleito senador pela província de La Rioja, onde o candidato de Kirchner, Angel Maza, foi o mais votado para o Senado. Os novos parlamentares tomam posse dia 10 de dezembro. Analistas como Rosendo Fraga, do Centro de Estudos União para a Nova Maioria, Roberto Bacman, do Centro de Estudos de Opinião Pública, e Eduardo Van der Kooy, do jornal Clarín, concordam que Kirchner consolidou seu poder político, dois anos depois de sua posse e quando faltam dois anos para as próximas eleições presidenciais. Mas ressalvam que ele deverá negociar com as outras forças políticas. "Um presidente forte, mas com limites", escreveu Van der Kooy nesta segunda. "O presidente consolidou seu poder ao conquistar mais do que aqueles 22% com que chegou à Presidência da República, em 2003, e ainda conseguiu perfurar o poder do ex-presidente Eduardo Duhalde na província de Buenos Aires, mas terá que negociar para ter quórum no Parlamento", destacou. Para Fraga, no novo mapa político da Argentina surgem como opositores os movimentos definidos como "duhaldismo", referência ao ex-presidente, e "radicalismo", referência à União Cívica Radical, UCR, partido dos ex-presidentes Raul Alfonsín e Fernando de la Rúa, que em algumas províncias aliou-se a Kirchner e em outras promete oposição. Ainda assim, Fraga entende que o presidente conseguiu o principal, provar que além de altos índices de popularidade também tem votos. Quórum Nesta manhã, assessores do governo estimavam que o governo deverá ter mais de 100 cadeiras na Câmara dos Deputados, de um total de 257, mas para conseguir maioria são necessárias 129 delas. No Senado, o governo deverá contar com 40 das 72 cadeiras, atingindo a independência para aprovar seus projetos.
"Os votos não pertencem a ninguém, só a vocês, eleitores", disse em clara referência ao casal Duhalde, que há anos governa a província de Buenos Aires. "Hoje começa na Argentina uma etapa de renovação e mudanças na liderança política. Votou-se num projeto de país e não de pessoas, isoladamente", afirmou. Tanto Kirchner quanto Cristina, Chiche, Duhalde e Menem pertencem ao peronismo, mas estão brigados entre si. Além disso, Kirchner chegou ao poder, em 2003, recordam seus adversários, com apoio de Duhalde que, na época, pretendia derrubar – e conseguiu – Menem. Nesse imbróglio político, ainda não se sabe, como disse Bacman, se o peronismo se unirá para apoiar o governo Kirchner, de agora em diante, ou se permanecerá fragmentado, dando espaço para o projeto de "transversalidade" do presidente, que inclui parte do peronismo e segmentos de outras linhas políticas, de centro-esquerda. Centro-direita Por sua vez, na manhã de segunda-feira, Mauricio Macri, do partido "Pro", definido como de centro-direita, reconheceu que será a "alternativa" ao poder de Kirchner. Com a apuração dos votos praticamente concluída na capital federal, ele recebeu 33,9% dos votos, elegendo seis deputados federais, deixando para trás a candidata Elisa Carrió, com 21,9% e quatro deputados e ainda Rafael Bielsa com 20,2% da votação e a conquista de três cadeiras. Para os analistas, Macri pode ser a cara da oposição nas eleições presidenciais de 2007 e canalizou, na eleição de domingo, os votos dos que não são simpatizantes a Kirchner. Outros desafios do presidente, daqui para frente, no dia seguinte à vitória das urnas, serão, de acordo com economistas e empresários, o combate à inflação e as novas negociações com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Na opinião do economista Dante Sica, os votos darão ao presidente "legitimidade" para levar sua política econômica adiante. |
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