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Atualizado às: 03 de novembro, 2005 - 09h11 GMT (07h11 Brasília)
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Lucas Mendes: Vida na sopa
Meu desejo de sopa durante o inverno parecia extravagante até o dia que vi a fila na Sopa do Nazista.

Naquela época, em 1985, ele ainda não tinha esta intimidante reputação.

Ela surgiu em 1995, depois de um episódio da série Seinfeld dedicado ao sopeiro e suas receitas.

O nazista da sopa é Al Yeganeh, um iraniano genial no tempero e intransigente na disciplina.

A soparia original, uma portinha sem mesas nem cadeiras, ficava na esquina da rua 55 com a 8ª avenida.

O cardápio, na porta, escrito a giz, oferecia meia dúzia de sopas.

As instruções na parede eram claras e simples: peça a sopa, pague e dê um passo para a esquerda.

Al Yeaganeh estava sempre no caixa. Atrás dele, três latinos faziam panelões de sopa em absoluto silêncio.

Se o freguês esquecesse de dar o passo para a esquerda, corria o risco de perder o pão.

Se reclamasse ou insistisse em saber o que tinha na sopa, se era apimentada ou não, o iraniano as vezes devolvia o dinheiro e dizia. Próximo.

O silêncio era de funeral, e a sopa, irresistível.

A critica do New York Times disse que não era sopa, era arte.

As de lagosta, peixe, jambalaia e peru com chili eram as campeãs de venda.

Depois de mais de um ano fechada, a famosa soparia reabriu ontem na rua 42 com 5ª avenida.

Às seis da manhã, mais de 200 pessoas estavam numa fila para ganhar uma camiseta e participar de um sorteio.

A vencedora, uma moça, tem direito a sopa de graça o resto da vida.

O nazista virou capitalista. Vendeu o nome e as receitas e agora é a cadeia "Soup Man".

Vão abrir mil nos próximos 5 anos - seis só este mês em Manhattan.

A sopa é preparada fora, chega congelada e é aquecida na hora. Há uma versão em pacotes para supermercados.

Minha espera na fila durou 45 minutos ouvindo as histórias de uma moça que acabou de voltar de Cancún, onde comeu o pão que o diabo amassou por causa do furacão Wilma.

Ela salivava na expectativa da sopa.

Quando chegou minha vez, a sopa de peixe já tinha acabado.

Paguei US$ 12 por uma cumbuquinha de sopa de siri.

Atrás do balcão, nove pessoas gentis e falantes serviam sem parar.

Você podia até provar os diferentes tipos. Do criador original só havia um pôster na parede.

A sopa não vale o preço nem a espera. Saudades do nazista.

66Arquivo - Lucas
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