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Atualizado às: 24 de outubro, 2005 - 21h26 GMT (18h26 Brasília)
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Fuga de cérebros chega a 90% em países pobres

Cientista indiano
Profissionais partem em busca de melhroes condições de trabalho
Um estudo do Banco Mundial (Bird) mostra que em alguns países até 90% das pessoas com educação superior estão vivendo no exterior.

O problema é maior na África, no Caribe e na América Central, regiões com muitos países pobres e pequenos.

"A saída das pessoas mais qualificadas prejudica as perspectivas de crescimento e a produtividade desses países", disse à BBC Brasil o economista Maurice Schiff, co-autor do estudo Migração Internacional, Remessas e Fuga de Cérebros.

Os países com maior proporção de pessoas com nível superior vivendo no exterior, de acordo com o estudo, são Guiana (89%), Jamaica (85%) e Haiti (84%).

No Brasil, emigraram apenas 2,2% das pessoas com educação superior. O número também é baixo em outros países grandes, como Índia (4,3%), China (3,8%) e Indonésia (2,1%).

Distância

Segundo Schiff, quanto maior a distância de grandes centros de atração de imigrantes, como Estados Unidos e Europa Ocidental, maior a proporção de emigrantes com nível universitário.

"Quando mais distante, mais caro o processo de migração, seja legal ou ilegal. E por isso a parcela mais pobre da sociedade não tem condições de fazer esta mudança", disse Schiff.

Na África, há cinco países onde a maioria da população com nível superior vive no exterior: Cabo Verde (67,5%), Gâmbia (63,3%), Ilhas Seychelles (56%), Ilhas Maurício (56%) e Serra Leoa (52,5%).

Apesar de drenar o país dos trabalhadores mais qualificados, que poderiam contribuir para o desenvolvimento, o retorno financeiro das remessas de recursos enviadas por estes emigrantes às suas famílias é uma importante fonte de recursos para muitos países.

Envio de dinheiro

Um outro estudo do Banco Mundial mostra que existem 200 milhões de pessoas vivendo fora de seus países de origem em todo o mundo, que devem mandar para seus países neste ano um total de US$ 225 bilhões.

Cada vez mais governos e instituições internacionais levam esse fenômeno em conta para planejar programas de combate à pobreza em países em desenvolvimento.

Schiff argumenta que, apesar do retorno financeiro, a chamada "fuga de cérebros" atrapalha o desenvolvimento social e político desses países.

"As pessoas com nível de educação mais elevado são as que têm mais chances de participar do debate político e melhorar as intituições do país", afirma.

Salários mais altos

Os trabalhadores mais qualificados também normalmente têm salários mais altos, e portanto pagam mais impostos do que usam serviços públicos. "Eles geram um superávit fiscal", diz o economista.

Além disso, se a educação superior foi subsidiada pelo governo, como acontece em muitos países, é o país que recebe o emigrante que fica com os benefícios, enquanto o país de origem arcou com os custos.

Ele cita o exemplo de profissionais na área da saúde de países africanos, por exemplo, que saem de países com graves problemas de saúde pública como malária e Aids, para trabalhar na Europa.

Empregos compatíveis

A proporção das pessoas que conseguiram empregos compatíveis com seu nível de escolaridade varia bastante.

Uma análise dos homens adultos que emigraram para os Estados Unidos mostra que, em 2000, 76% dos que vieram da Índia conseguiram empregos compatíveis.

A proporção também é elevada entre chineses de Hong Kong (70%), irlandeses (69%), australianos (67%), britânicos (65%) e canadenses (64%).

"São países que falam inglês. Então além da educação universitária eles já tem a vantagem de vir de um país de língua inglesa", diz Schiff.

Para atacar o problema, o economista recomenda uma ação conjunta dos países de origem e de chegada dos imigrantes.

66Corrupção
Especial mostra escala do problema em outros países.
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