BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 21 de outubro, 2005 - 21h30 GMT (18h30 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Relatório da ONU deixa Síria em situação delicada

O Líbano e a Síria negam alegações do relatório
Não surpreende o fato de o governo da Síria ter rejeitado o conteúdo do relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri.

O relatório contém uma série de alegações contra a família Assad, que governa a Síria, e seus aliados mais próximos, aumentando ainda mais a pior crise que ela enfrenta desde que Hafez Al-Assad, o pai do atual presidente, tomou o poder em 1967.

A conclusão do parágrafo 123 do relatório é devastadora.

O texto diz que "há provavelmente razão para se acreditar" que a decisão de assassinar Rafik Hariri não poderia ter sido tomada sem a aprovação de autoridades sírias "altamente graduadas" da área da segurança.

O relatório vai além, e acrescenta que a ação não poderia ter sido organizada "sem a conivência dos equivalentes (às autoridades sírias) nos serviços de segurança libaneses".

Vínculos com Beirute

O presidente do Líbano, Emile Lahoud, firme aliado da Síria e inimigo político de Hariri, também é incluído no relatório.

O irmão de uma das figuras-chave da investigação, Sheikh Ahmed Abdel-Al, ligou para o celular de Lahoud poucos minutos antes da explosão que matou Hariri, segundo o texto.

O presidente Lahoud ficou isolado desde que a Síria foi forçada a retirar suas tropas do Líbano, em abril deste ano.

Ele tem dito que está determinado a cumprir todo seu mandato, mas agora vai enfrentar pedidos de renúncia.

O general Mustapha Hamdan, comandante da guarda presidencial do Líbano e o assessor de segurança mais próximo de Lahoud, também é apontado por uma testemunha.

Quatro meses antes do assassinato, ele acusou Hariri de ser pró-Israel e supostamente disse à testemunha: "Vamos mandá-lo para uma viagem; adeus Hariri".

O investigador da ONU, Detlev Mehlis, tem o cuidado de dizer que a investigação precisa ser aprofundada e que as pessoas nomeadas no relatório precisam ser consideradas inocentes até que seja provada a culpa delas.

Mesmo assim, ele descreve uma conspiração ampla, que inclui autoridades graduadas da área de segurança da Síria e do Líbano.

O parágrafo 96 inclui o depoimento de uma testemunha, que alega ter trabalhado para o serviço secreto sírio, que descreve uma série de supostas reuniões em Damasco de autoridades de segurança da Síria e do Líbano para planejar o assassinato.

Algumas das reuniões teriam sido realizadas no palácio presidencial.

Motivos

Uma cópia do relatório obtido pela BBC mostra que nomes foram apagados quando a última versão estava sendo preparada.

Os nomes apagados do parágrafo 96 incluem os do irmão do presidente Bashar Al-Assad, Maher, e de Asef Shawkat, chefe do serviço secreto militar da Síria e casado com a irmã do presidente Assad.

Se o que essa testemunha diz é verdade, a conspiração chega ao coração da corte do presidente Assad.

O relatório critica a Síria por não cooperar de forma apropriada com a investigação da ONU.

Na verdade, acusa o ministro do Exterior da Síria, Farouk Al-Shara de mentir, dizendo que uma carta dele aos investigadores continha "informações falsas".

O relatório diz que Rafik Hariri foi morto por razões políticas, porque era visto como um inimigo da Síria e seus aliados no Líbano.

Mas Mehlis diz que poderia ter havido outros motivos dentro do "grupo sofisticado" que organizou seu assassinato, incluindo fraude, corrupção e lavagem de dinheiro.

Cópias do relatório foram mandadas a todos os membros do Conselho de Segurança da ONU, que vai discutir as suas conclusões na próxima semana.

A Síria já estava sob intensa pressão dos Estados Unidos. Essa pressão certamente vai se tornar mais intensa e é provável que venha antes por meio do Conselho de Segurança.

66Armas de fogo
Confira especial da BBC com a situação em outros países.
66Corrupção
Especial mostra escala do problema em outros países.
66Furacão Wilma
Furacão avança por península do México; veja fotos.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade