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Relatório da ONU deixa Síria em situação delicada | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Não surpreende o fato de o governo da Síria ter rejeitado o conteúdo do relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o assassinato do ex-primeiro-ministro do Líbano Rafik Hariri. O relatório contém uma série de alegações contra a família Assad, que governa a Síria, e seus aliados mais próximos, aumentando ainda mais a pior crise que ela enfrenta desde que Hafez Al-Assad, o pai do atual presidente, tomou o poder em 1967. A conclusão do parágrafo 123 do relatório é devastadora. O texto diz que "há provavelmente razão para se acreditar" que a decisão de assassinar Rafik Hariri não poderia ter sido tomada sem a aprovação de autoridades sírias "altamente graduadas" da área da segurança. O relatório vai além, e acrescenta que a ação não poderia ter sido organizada "sem a conivência dos equivalentes (às autoridades sírias) nos serviços de segurança libaneses". Vínculos com Beirute O presidente do Líbano, Emile Lahoud, firme aliado da Síria e inimigo político de Hariri, também é incluído no relatório. O irmão de uma das figuras-chave da investigação, Sheikh Ahmed Abdel-Al, ligou para o celular de Lahoud poucos minutos antes da explosão que matou Hariri, segundo o texto. O presidente Lahoud ficou isolado desde que a Síria foi forçada a retirar suas tropas do Líbano, em abril deste ano. Ele tem dito que está determinado a cumprir todo seu mandato, mas agora vai enfrentar pedidos de renúncia. O general Mustapha Hamdan, comandante da guarda presidencial do Líbano e o assessor de segurança mais próximo de Lahoud, também é apontado por uma testemunha. Quatro meses antes do assassinato, ele acusou Hariri de ser pró-Israel e supostamente disse à testemunha: "Vamos mandá-lo para uma viagem; adeus Hariri". O investigador da ONU, Detlev Mehlis, tem o cuidado de dizer que a investigação precisa ser aprofundada e que as pessoas nomeadas no relatório precisam ser consideradas inocentes até que seja provada a culpa delas. Mesmo assim, ele descreve uma conspiração ampla, que inclui autoridades graduadas da área de segurança da Síria e do Líbano. O parágrafo 96 inclui o depoimento de uma testemunha, que alega ter trabalhado para o serviço secreto sírio, que descreve uma série de supostas reuniões em Damasco de autoridades de segurança da Síria e do Líbano para planejar o assassinato. Algumas das reuniões teriam sido realizadas no palácio presidencial. Motivos Uma cópia do relatório obtido pela BBC mostra que nomes foram apagados quando a última versão estava sendo preparada. Os nomes apagados do parágrafo 96 incluem os do irmão do presidente Bashar Al-Assad, Maher, e de Asef Shawkat, chefe do serviço secreto militar da Síria e casado com a irmã do presidente Assad. Se o que essa testemunha diz é verdade, a conspiração chega ao coração da corte do presidente Assad. O relatório critica a Síria por não cooperar de forma apropriada com a investigação da ONU. Na verdade, acusa o ministro do Exterior da Síria, Farouk Al-Shara de mentir, dizendo que uma carta dele aos investigadores continha "informações falsas". O relatório diz que Rafik Hariri foi morto por razões políticas, porque era visto como um inimigo da Síria e seus aliados no Líbano. Mas Mehlis diz que poderia ter havido outros motivos dentro do "grupo sofisticado" que organizou seu assassinato, incluindo fraude, corrupção e lavagem de dinheiro. Cópias do relatório foram mandadas a todos os membros do Conselho de Segurança da ONU, que vai discutir as suas conclusões na próxima semana. A Síria já estava sob intensa pressão dos Estados Unidos. Essa pressão certamente vai se tornar mais intensa e é provável que venha antes por meio do Conselho de Segurança. |
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