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Lula pede ‘menos retórica e mais ação’ na AS | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu nesta sexta-feira que os encontros entre líderes sul-americanos precisam colocar em prática as propostas de integração que muitas vezes ficam limitadas aos discursos. “Compartilho o sentimento que tem atravessado todas nossas reuniões presidenciais”, afirmou. “É necessário menos retórica e mais ação.” Lula foi o anfitrião, em Brasília, da primeira reunião de cúpula dos chefes de Estado da Comunidade Sul-Americana de Nações. O encontro desta sexta-feira contou com a presença dos presidentes de sete dos 12 países que formam a entidade. O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, esteve em Brasília na noite de quinta-feira para jantar com os outros partipantes da cúpula, mas foi embora antes do início da reunião desta sexta. Problemas A imprensa argentina atribuiu a partida de Kirchner a uma estratégia para evitar um encontro com o ex-presidente Eduardo Duhalde, que integra uma comissão permanente do Mercosul e chegaria à Brasília na manhã desta sexta. Ex-aliados, Duhalde e Kirchner são hoje adversários políticos na Argentina, que vive um período de campanha com a proximidade das eleições legislativas marcadas para o mês que vem. O governo brasileiro procurou minimizar a ausência do presidente argentino na reunião de cúpula ao afirmar que a partida de Kirchner já era prevista e que a Argentina permanece ativa nos planos de integração da América do Sul. Durante o encontro, no entanto, um trecho do discurso de Lula parecia destinado aos vizinhos que faltaram à reunião – além de Kirchner, o uruguaio Tabaré Vázquez e o colombiano Álvaro Uribe também não participaram da cúpula. “Sei que temos problemas que exigem nossa atenção e presença cotidianas em nossos países, o que limita nossa assistência a compromissos internacionais”, disse Lula. “Mas a experiência nos mostra que, em um mundo interdependente como o nosso, não podemos ficar confinados em nossas fronteiras nacionais.” Infra-estrutura Na tentativa de dar uma dimensão mais prática ao encontro desta sexta-feira, Lula destacou o programa de ação lançado pela Comunidade Sul-Americana de Nações durante a Cúpula O presidente disse que os projetos de criação de uma malha de conexões energéticas, viárias e de comunicação têm avançado na região. “O alicerce da Comunidade Sul-Americana é a integração da infra-estrutura física”, afirmou Lula. De acordo com o presidente, 43 projetos de infra-estrutura com financiamento brasileiro, em um total de US$ 4,3 bilhões, estão em andamento na América do Sul. Outra medida lembrada por Lula foi o acordo para o início de negociações com o objetivo de acabar, em toda a América do Sul, com a necessidade do visto de turista para os cidadãos de países da região. “A integração da América do Sul tem uma dimensão essencialmente humana”, disse Lula. “Estaremos dando um passo fundamental na construção de uma cidadania sul-americana. Em nosso Continente Sul-Americano, não precisaremos de muros.” Livre comércio Outro documento assinado durante a reunião de cúpula foi uma declaração em que os países sul-americanos se comprometem a realizar estudos para formar gradualmente uma zona de livre comércio em toda a região. “Já avançamos na construção de uma verdadeira Área de Livre Comércio de toda a América do Sul”, disse Lula, que lembrou o aumento de 25% do comércio intra-regional em 2004. “Devemos aprofundá-la e aperfeiçoá-la.” O presidente também reforçou a necessidade de aproximação da América do Sul com outros países em desenvolvimento e afirmou que as iniciativas de cooperação com esses novos sócios “não prejudicam as relações com parceiros industrializados”. “Unidos, estaremos melhor habilitados para fazer valer nossos interesses coletivos e contribuir para uma ordem internacional mais democrática e mais eqüitativa”, afirmou. O governo brasileiro também defendeu a proposta de que outros países sul-americanos façam como o Brasil e tomem a iniciativa de se incorporar à Corporação Andina de Fomento (CAF). O objetivo, de acordo com Lula, é construir “soluções inovadoras de financiamento” para as obras de integração da infra-estrutura e abrir caminho para a formação de um Banco Sul-Americano de Desenvolvimento. |
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