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Atualizado às: 29 de setembro, 2005 - 11h11 GMT (08h11 Brasília)
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Pleito palestino deve mostrar avanço do Hamas

Eleitora palestina com o filho
Eleitores voltarão às urnas em janeiro para escolher novo Parlamento
Milhares de palestinos da Cisjordânia estão indo nesta quinta-feira às urnas para eleições municipais que, segundo analistas, devem revelar ganhos políticos do grupo militante islâmico Hamas.

A disputa pode dar indicações do que vai acontecer na próxima eleição legislativa palestina, marcada para janeiro do ano que vem.

Atualmente o Fatah, facção política do presidente Mahmoud Abbas, é praticamente hegemônico no controle da Autoridade Palestina.

Mas analistas dizem que o Hamas vem ganhando cada vez mais popularidade e pode acabar forte o suficiente para, num futuro próximo, pressionar o Fatah a dividir o poder.

“Nestas eleições municipais, tenho certeza que as operações que Israel vem realizando nos últimos dias contra o Hamas vão ter um impacto positivo nos votos para o grupo”, afirma o cientista político da Universidade de Ramallah, na Cisjordânia, Hisham Ahmed.

Crise

O pesquisador diz que o Fatah está cheio de problemas internos, como corrupção e disputa de poder entre seus líderes, que reduziram a credibilidade do grupo junto aos palestinos.

Enquanto isso, o Hamas vem ganhando popularidade nos últimos anos por conta de seus trabalhos assistencialistas e da percepção popular de que não há corrupção no grupo.

Segundo Ahmed, a opção do Hamas pelo confronto com Israel (enquanto a Autoridade Palestina adota um tom mais negociador) se torna mais popular quando as ações israelenses são intensificadas.

“É verdade que os palestinos anseiam por tranqüilidade, mas também existe entre muita gente a percepção de que a resistência armada conseguiu vitórias, como a retirada israelenses de Gaza”, diz o cientista político.

Erro

Por outro lado, Hisham Ahmed diz que o Hamas percebeu que cometeu um erro, ao menos parcial, ao lançar, na última sexta-feira, mísseis que detonaram uma forte reação militar de Israel.

Frente à resposta israelense, que bombardeou Gaza e prendeu candidatos do grupo na Cisjordânia , o Hamas e também o grupo Jihad Islâmico disseram que parariam com as agressões se Israel também encerrasse a ofensiva.

“O Hamas tem uma vitória a preservar agora, principalmente a liberdade de movimentos que ganhou na Faixa de Gaza”, diz Ahmed.

A ação do Hamas também acabou dando ao primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, a chance de dar uma demonstração de força e determinação, exatamente no momento em que está numa disputa de poder dentro de seu partido, o direitista Likud.

“O Hamas tem que tomar cuidado, pois a disputa de poder dentro do Likud continua, e o que muita gente quer lá é guerra”, escreveu o analista político palestino Hani Habib no jornal Al Yam, publicado na Cisjordânia.

Israel

O analista político Talal Olkal, que escreve colunas em diversos jornais palestinos, observou, no entanto, que também não se pode desprezar completamente a eficiência das ações de Israel contra o Hamas.

“É verdade que o ataque de Israel atrai simpatias para o Hamas, mas também é verdade que as prisões de candidatos e ataques nas vésperas das eleições atrapalham a organização do grupo”, disse.

Ganhar eleições locais tem importância especial para o Hamas porque os membros do grupo têm grande participação em trabalhos assistencialistas, realizados nos níveis mais baixos do governo.

Atualmente, a facção não tem representantes no Conselho Legislativo Palestino porque preferiu boicotar as eleições de 1996, em protesto contra as negociações com Israel.

Disputa

Nas eleições locais na Faixa de Gaza, realizadas em março deste ano, no entanto, o Hamas teve ótimos resultados e superou o Fatah na área.

Mas agora o grupo vai medir forças com a facção de Mahmoud Abbas na Cisjordânia, onde o grupo é percebido como bem mais fraco.

O Fatah já tem garantidas nestas eleições 13 municípios dos 22 da Cisjordânia, onde só a facção apresentou listas de candidatos.

Mas, se a disputa nos outros municípios mostrar o Hamas com alguma força na Cisjordânia, o partido ganha uma base bem melhor para disputar as eleições legislativas de 25 de janeiro.

“O Fatah tem que estar preparado para dividir o poder dentro da Autoridade Palestina. Saber dividir o poder é uma das coisas que a sociedade palestina precisa saber fazer para que possamos fazer nossa democracia funcionar”, disse o analista Hisham Ahmed.

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