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Atualizado às: 22 de setembro, 2005 - 08h31 GMT (05h31 Brasília)
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Análise: 25 anos depois, Irã é claro vencedor da guerra com o Iraque

Corpos de vítimas da guerra entre Irã e Iraque em Halabja, no norte iraquiano
Conflito deixou mais de 1,5 milhão de mortos, segundo estimativas
Há exatamente 25 anos, 22 de setembro de 1980, as forças iraquianas de Saddam Hussein lançaram um ataque aéreo e terrestre contra o relativamente recente regime dos aiatolás xiitas no Irã.

Foram oito anos de uma guerra notável pelo sacrifício de vidas humanas e armas químicas.

Algumas estimativas mencionam 1,5 milhão de mortos. O conflito que teve disputas territoriais como estopim terminou em agosto de 1988 com as fronteiras inalteradas.

Mas, 25 anos mais tarde, não há dúvida que o Irã saiu vencedor.

Com a invasão americana do Iraque em 2003, Saddam Hussein está preso, aguardando julgamento, previsto para começar no próximo dia 19.

O país é laboratório de um experimento que pode levar a uma guerra civil aberta ou ao seu esfacelamento entre xiitas, sunitas e curdos.

Já no Irã, com o presidente Mahmoud Ahmadinejad, uma nova geração de revolucionários xiitas está no poder em Teerã.

O seu discurso populista lhe conferiu uma base genuína, especialmente entre os pobres que se sentiam abandonados por líderes religiosos corruptos.

Virulência

Com a ascensão de Ahmadinejad foram ceifadas as esperanças de moderação e se tornou ainda mais difícil um compromisso para a eliminação das ambições nucleares do país.

A militância ficou claríssima no virulento discurso do novo presidente feito sábado passado diante da Assembléia Geral das Nações Unidas.

O Irã está confiante que os EUA e o trio europeu (Grã-Bretanha, França e Alemanha) não conseguirão levar a questão do seu programa nuclear, com vistas a sanções, para o Conselho de Segurança da ONU, diante da resistência de Rússia, China e potências emergentes como o Brasil.

As ambições geopolíticas do Irã são incontestáveis, até megalomaníacas.

O general Yahya Safavi, comandante da Guarda Revolucionária, disse recentemente que a missão de Teerã é criar "um mundo multipolar no qual o Irã tenha um papel de liderança", enquanto o presidente Ahmadinejad afirmou que o dominio geopolitico no Oriente Médio "é um direito incontestável da nação iraniana".

Com o fim do regime de Saddam Hussein, estas ambições - pelo menos as regionais – foram facilitadas.

Na verdade, a ofensiva geopolítica do governo George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001 se converteu em uma vantagem estratégica para o regime xiita de Teerã.

Inimigos nos dois lados - o Partido Baath em Bagdá e o Talebã em Cabul - foram afastados do poder.

A cruzada democrática americana no Oriente Médio minou rivais tradicionais do Irã, como a Arábia Saudita e o Egito.

E, no Líbano, a expulsão das tropas sírias, fortaleceu ainda mais a influência iraniana.

O establishment sunita no mundo árabe teme um arco xiita na região.

Em Bagdá, o frágil poder está nas mãos do primeiro-ministro xiita Ibrahim Al Jaafari, que passou em Teerã parte do seu exílio nos tempos de Saddam Hussein.

Jafari tem estreitado as relações com o regime iraniano e, como lembra Ray Takeyh, do Conselho de Relações Externas, em Washington, esta iniciativa altera profundamente o cenário geopolitico na região, marcado por décadas pelo antagonismo entre Teerã e Bagdá.

Um ponto culminante deste antagonismo obviamente foi a guerra entre 1980 e 1988.

Lá na prisão, Saddam Hussein tem tempo para refletir sobre o seu erro de cálculo de 25 anos atrás.

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