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Análise: 25 anos depois, Irã é claro vencedor da guerra com o Iraque | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Há exatamente 25 anos, 22 de setembro de 1980, as forças iraquianas de Saddam Hussein lançaram um ataque aéreo e terrestre contra o relativamente recente regime dos aiatolás xiitas no Irã. Foram oito anos de uma guerra notável pelo sacrifício de vidas humanas e armas químicas. Algumas estimativas mencionam 1,5 milhão de mortos. O conflito que teve disputas territoriais como estopim terminou em agosto de 1988 com as fronteiras inalteradas. Mas, 25 anos mais tarde, não há dúvida que o Irã saiu vencedor. Com a invasão americana do Iraque em 2003, Saddam Hussein está preso, aguardando julgamento, previsto para começar no próximo dia 19. O país é laboratório de um experimento que pode levar a uma guerra civil aberta ou ao seu esfacelamento entre xiitas, sunitas e curdos. Já no Irã, com o presidente Mahmoud Ahmadinejad, uma nova geração de revolucionários xiitas está no poder em Teerã. O seu discurso populista lhe conferiu uma base genuína, especialmente entre os pobres que se sentiam abandonados por líderes religiosos corruptos. Virulência Com a ascensão de Ahmadinejad foram ceifadas as esperanças de moderação e se tornou ainda mais difícil um compromisso para a eliminação das ambições nucleares do país. A militância ficou claríssima no virulento discurso do novo presidente feito sábado passado diante da Assembléia Geral das Nações Unidas. O Irã está confiante que os EUA e o trio europeu (Grã-Bretanha, França e Alemanha) não conseguirão levar a questão do seu programa nuclear, com vistas a sanções, para o Conselho de Segurança da ONU, diante da resistência de Rússia, China e potências emergentes como o Brasil. As ambições geopolíticas do Irã são incontestáveis, até megalomaníacas. O general Yahya Safavi, comandante da Guarda Revolucionária, disse recentemente que a missão de Teerã é criar "um mundo multipolar no qual o Irã tenha um papel de liderança", enquanto o presidente Ahmadinejad afirmou que o dominio geopolitico no Oriente Médio "é um direito incontestável da nação iraniana". Com o fim do regime de Saddam Hussein, estas ambições - pelo menos as regionais – foram facilitadas. Na verdade, a ofensiva geopolítica do governo George W. Bush após os atentados de 11 de setembro de 2001 se converteu em uma vantagem estratégica para o regime xiita de Teerã. Inimigos nos dois lados - o Partido Baath em Bagdá e o Talebã em Cabul - foram afastados do poder. A cruzada democrática americana no Oriente Médio minou rivais tradicionais do Irã, como a Arábia Saudita e o Egito. E, no Líbano, a expulsão das tropas sírias, fortaleceu ainda mais a influência iraniana. O establishment sunita no mundo árabe teme um arco xiita na região. Em Bagdá, o frágil poder está nas mãos do primeiro-ministro xiita Ibrahim Al Jaafari, que passou em Teerã parte do seu exílio nos tempos de Saddam Hussein. Jafari tem estreitado as relações com o regime iraniano e, como lembra Ray Takeyh, do Conselho de Relações Externas, em Washington, esta iniciativa altera profundamente o cenário geopolitico na região, marcado por décadas pelo antagonismo entre Teerã e Bagdá. Um ponto culminante deste antagonismo obviamente foi a guerra entre 1980 e 1988. Lá na prisão, Saddam Hussein tem tempo para refletir sobre o seu erro de cálculo de 25 anos atrás. |
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