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Atualizado às: 01 de setembro, 2005 - 14h33 GMT (11h33 Brasília)
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Crianças sobreviventes de Beslan vivem com o trauma

Cherman Bugunob
Cherman perdeu seu melhor amigo no cerco
Um ano após o cerco à escola de Beslan, que terminou com a morte de 331 pessoas, o trauma causado pelo evento parece distante de ser superado por seus sobreviventes.

"Deus não existe. O que existe são as forças armadas. Acredito na Rússia e no nosso Exército", diz o garoto Chermen Bugunob, de sete anos de idade.

"Pensava nisso durante o ataque."

Ele costuma passar seu tempo no porão de sua casa chutando caixas. Sua força parece surpreendente para a sua idade.

Vingança

Quando faz uma pausa para relembrar o que aconteceu naquele dia 1º de setembro do ano passado, o seu relato é claro e vívido.

"Após a primeira explosão, a granada de um terrorista foi atingida por uma bala. Todos eles tinham granadas amarradas ao redor de seus corpos. Pedaços de seu cérebro atingiram a minha cara. Foi horrível. Era gorduroso e escorregadio."

Durante o cerco, os tímpanos do garoto foram perfurados e os médicos disseram que ele nunca mais voltará a escutar perfeitamente.

Ele parece resignado com o diagnóstico. Chermen sofreu perdas piores.

"Estava com meu melhor amigo Oleg dentro da escola. Quando o cerco começou, tentamos fugir juntos, mas eu me perdi dele. Depois, encontrei uma das mangas de seu casaco."

"Nunca mais o vi. Descobri depois que ele havia sido morto."

"Ele era meu melhor amigo e realmente sinto sua falta. Se fosse medir a dor em termos de eletricidade, seria um choque de nove milhões de volts", diz ele, com o rosto tenso.

"Sinto dor e raiva. Desde então quero vingar a morte de Oleg. Se eu fosse presidente, mandaria me trazerem terroristas desarmados e iria pessoalmente cortar as gargantas deles."

Nascer de novo

Outra sobrevivente do cerco é a garota Laima, de nove anos de idade. Ela me mostra o desenho de um terrorista com o rosto coberto por uma máscara.

Ela costuma fazer vários esboços até se satisfazer com o resultado. A menina então pica o desenho e ateia fogo nos pedaços.

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Laima desenha os responsáveis pelo cerco quase diariamente

Há um ano, ela vem repetindo o ritual quase que diariamente.

"Desenhos os terroristas e os queimo pelas crianças que morreram na escola. Quero me vingar por todas elas."

"Nunca é o suficiente. É impossível me vingar o bastante. Terei que fazer isso por toda a minha vida, pela forma como eles nos mantiveram por três dias."

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Ela depois os pica e ateia fogo nos pedaços

Laima estava sozinha quando o cerco teve início. Enquanto me conta sua história, ela tira algo de dentro de sua blusa.

"Encontrei uma pequena cruz no chão do ginásio. Fiquei com ela durante os três dias. Me ajudou a sobreviver."

"Sonhei que estava fugindo da escola e vi um carrinho de bebê. Corri na sua direção e me vi dentro dele."

"Perguntei a minha mãe o que isso significava e ela disse que eu havia renascido."

"Nasci de novo quando escapei daquele inferno."

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