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Atualizado às: 18 de agosto, 2005 - 15h54 GMT (12h54 Brasília)
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Comissão diz que polícia atrasou investigação do caso Jean

Jean Charles, morto no metrô
Circunstâncias da morte de Jean foram vazadas nesta semana
A Comissão Independente de Queixas sobre a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), que investiga as circunstâncias da morte do eletricista Jean Charles de Menezes, acusou a polícia metropolitana de ter impedido o início imediato das investigações após o assassinato do brasileiro.

"A polícia metropolitana inicialmente resistiu a nos conceder o direito de assumir as investigações. Porém, nós superamos isso. Foi uma vitória importante para a nossa independência. Essa disputa provocou atraso na tomada de comando da investigação, mas nós trabalhamos duro para recuperar o terreno perdido", disse, num comunicado, John Wadham, um alto funcionário da IPCC.

Ele também afirmou que o inquérito estava progredindo bastante e que a comissão está determinada em concluir a investigação rapidamente.

"Estamos trabalhando para concluí-la daqui a três a seis meses", disse Wadham.

O comunicado da IPCC vem horas após uma reunião com as duas advogadas que representam a família de Jean Charles, durante a qual elas cobraram uma explicação para a entrada da comissão nas investigações com pelo menos três dias de atraso, quando elas deveriam ter começado no primeiro instante depois dos tiros disparados em Jean Charles.

Uma das advogadas da família, Gareth Peirce, afirma que muitas evidências importantes podem ter sido perdidas por causa disso.

Numa nota divulgada nesta quarta-feira, a polícia metropolitana afirmou que, inicialmente, acreditava que a morte do brasileiro estava relacionada às tentativas de explosões que tinham ocorrido no dia anterior, o que fez com que o chefe da polícia pedisse ao Ministério do Interior que uma investigação terrorista antecedesse a intervenção da IPCC.

Transparência

Peirce também tinha dito que comunicou à comissão sua profunda insatisfação com o modo como o processo está sendo conduzido.

"Queremos que a investigação não seja adiada, nem estendida. Não vemos razão para que o processo não possa ser rápido."

Com base em sua experiência como advogada criminal, Peirce afirmou ter conhecimento de que é "totalmente viável as investigações e decisões ocorrerem de forma rápida".

O comunicado da IPCC também responde outra reivindicação feita pelas advogadas: que o inquérito seja mais transparente e que, de preferência, seja tornado público.

Jean Charles de Menezes
Família de Jean deve ir a Londres para acompanhar investigação

Wadham disse que o inquérito que está sendo conduzido pela comissão será "completo, imparcial e não vai haver pressa para se chegar a qualquer conclusão."

O representante do IPCC também disse que a comissão está ansiosa para se encontrar com a família de Jean Charles de Menezes para responder a suas perguntas diretamente.

"Faz parte da nossa política informar a família regularmente sobre os resultados de nossa investigação. É uma busca pela verdade e estamos confiantes de que a conclusão deste inquérito vai ser capaz de dizer à família exatamente o que aconteceu", afirmou.

Os pais e o irmão do eletricista devem chegar à Grã-Bretanha na semana que vem.

'Serviço público'

A reunião da manhã desta quinta-feira foi convocada depois do vazamento de informações sobre as circunstâncias da morte de Jean de Menezes, que confirmam que ele não estava usando um casaco de inverno, não saltou a roleta do metrô e nem correu dos policiais, contrariando os comunicados da polícia à época da morte dele.

"A polícia disse que ele estava definitivamente ligado ao terrorismo, ele não estava; disse que ele usava um casaco de inverno, ele não usava; e disse que ele correu, o que ele também não fez", afirmou Peirce.

A advogada afirmou que soube de todos esses detalhes por meio da imprensa, já que a comissão independente que investiga o caso não repassa nenhuma informação privilegiada para seu escritório.

"Tudo isso é novo. Nós achamos que (quem quer que tenha vazado as informações para a imprensa) prestou um serviço público. Nós descobrimos a maior parte do que sabemos através da imprensa", disse ela.

"Assim que vimos as fotos do corpo de Jean Charles estirado no vagão do metrô, avisamos a família imediatamente que em pouco tempo elas estariam sendo veiculadas na imprensa do mundo todo."

66Antes e depois
Revelações mostram diferentes versões sobre caso Jean.
66Caso Jean
Relembre a cronologia dos fatos desde a morte do brasileiro.
66Especial
As últimas notícias sobre as explosões em Londres.
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