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Retirada de Gaza deve ser apenas primeiro passo, diz 'NYT' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O jornal americano The New York Times diz em um editorial nesta segunda-feira que a retirada israelense da Faixa de Gaza deve ser apenas o começo de um longo processo. "Gaza sempre foi o maior exemplo da falência da política de assentamentos israelense, e o primeiro-ministro, Ariel Sharon, deveria ser parabenizado por finalmente fazer o que seus predecessores deveriam ter feito anos atrás", afirma o NYT. Mas o jornal lembra que Sharon parece acreditar que, com a retirada de Gaza, estará comprando tempo para consolidar a presença israelense na Cisjordânia. "O governo (do presidente americano George W.) Bush não pode seguir esta linha de pensamento", diz o NYT, "Bush tem que esclarecer a Sharon que a retirada de Gaza é um primeiro passo. Ele não pode permitir que Sharon o manipule para aprovar a ocupação indefinida da Cisjordânia." Momento decisivo O site de notícias Arab News, baseado na Arábia Saudita, afirma em editorial que a retirada vai ajudar a determinar para onde vai o Oriente Médio daqui para a frente. O site afirma que muitos palestinos temem que Israel esteja devolvendo Gaza em uma tentativa de obter controle total sobre a Cisjordânia,. "Sharon é o pai do movimento dos colonos israelenses, e poucos palestinos acreditam que ele, de repente, tenha virado uma pomba (da paz)", diz o Arab News. Segundo o site, a retirada é um modo de Israel se livrar da "carga" demográfica, política e militar que é a Faixa de Gaza. "Gaza é um enclave cercado, destruído pela guerra, onde 1,4 milhão de habitantes são uma fonte de ativistas com os quais os israelenses não querem ter nada a ver". Mas o editorial afirma que, apesar de a retirada estar prevista para terminar daqui a seis semanas, ninguém sabe, exatamente, onde ela vai acabar. Em outro editorial, o jornal israelense Haaretz, os protestos contra a retirada israelense podem virar uma violenta revolta, o que dificultaria todo o processo. "Nos últimos dias, aumentaram as preocupações de que foi ultrapassado um limite, que o protesto virou uma revolta. Milhares de colonos se infiltraram ilegalmente em Gush Katif nas barbas das Forças de Defesa Israel", diz um editorial. O Haaretz afirma que o que se está vendo agora é resultado da política israelense de não lidar diretamente com o problema, por ser uma questão "sensível" aos israelenses. Para o jornal, as lições do episódio talvez sejam aprendidas, mas "neste momento perigoso, a presença dos infiltrados garante que a operação vai ser significativamente mais difícil, e que os soldados e policiais vão ser compelidos a confrontar as pessoas, com considerável capacidade para a violência." Constituição Na Grã-Bretanha, o jornal The Independent traz matéria sobre a nova constituição do Iraque - que deve ser apresentada ao parlamento nesta segunda-feira - afirmando que ela não representa nada para o iraquiano comum. Para o Independent, existe uma clara separação: de um lado, o governo do Iraque e as forças de ocupação vivem protegidas na zona verde, se preocupando com o nome do país, uma possível federação e detalhes da constituição. De outro, o povo, que não tem acesso a serviços e garantias básicas. "Hoje deve ser o dia 'C' (de Constituição), segundo o presidente Bush e todos os outros que invadiram o Iraque ilegalmente em 2003. Mas, na Bagdá 'real' (...) as pessoas querem saber de segurança, eletricidade, água, de quando a ocupação vai acabar, de quando os assassinatos vão acabar, de quando os estupros vão acabar", afirma a reportagem. "No Iraque da Alice no País das Maravilhas em que vivem Bush e (o primeiro-ministro britânico) Tony Blair (...) esses problemas não existem. (...) Não falta energia, e eles não enfrentam filas para comprar gasolina, nem assassinatos.", afirma a reportagem Lula E na Espanha, o El País destaca o encontro marcado para esta segunda-feira em que a oposição no Brasil deve discutir as possíveis conseqüências de um impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O jornal afirma que a oposição prefere derrotar Lula nas urnas, para não paralisar o país. Ainda segundo o El País, a oposição pode exigir, como parte de um acordo, que o presidente não se candidate à reeleição no ano que vem. "A oposição teme que o processo para retirar o presidente do cargo possa paralisar o governo e gerar crise na economia do país - o que melhor funciona no governo Lula." "Para a oposição, como já confessou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aos seus amigos, a solução ideal seria que Lula se comprometesse agora a não se apresentar à reeleição (..) em troca de garantir a estabilidade ao que resta do mandato, tanto no governo como no parlamento", afirma o El País. |
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