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Atualizado às: 15 de agosto, 2005 - 04h14 GMT (01h14 Brasília)
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EUA apóiam saída de Gaza com cautela

Faixa de Gaza
Forças palestinas vão ajudar na segurança dos judeus
A história está em marcha no Oriente Médio com a primeira etapa nesta segunda-feira da retirada israelense da faixa de Gaza. É uma marcha forçada. O primeiro-ministro Ariel Sharon – o arquiteto de colônias judaicas nos territórios ocupados na guerra de 1967 – agora se rendeu ao pragmatismo. E para muitos colonos será literalmente uma marcha forçada, a partir de quarta-feira, caso eles não partam voluntariamente.

Esta marcha a ré israelense tem um profundo significado histórico. Pela primeira vez Israel se retira de territórios ocupados onde os palestinos querem construir o seu futuro Estado. Apesar do significado histórico, o governo americano tem expectativas baixas sobre a retirada.

É compreensível para um governo que, conforme noticiou o jornal The Washington Post na edição de domingo, já tem agora até expectativas baixas sobre o futuro do Iraque, pedra-de-toque de sua atuação no Oriente Médio. No Iraque, a administração Bush deixou de sonhar com a criação de uma democracia modelo, de uma economia dinâmica movida pela indústria de petróleo e de um cenário de segurança eficaz.

Já no conflito israelo-palestino, Bush nunca teve grandes ambições. É verdade que ele foi o primeiro presidente do seu país a enunciar que a criação de um Estado palestino faz parte da política externa americana. Mas Bush sempre foi relutante para se envolver a fundo na mediação diplomática, com medo de amargar a frustração do governo Clinton, que em alguns momentos parecia ter chegado muito perto de costurar um acordo para o conflito. Bush também é claro está absorvido (para não dizer atolado) pela crise do Iraque.

A dinâmica gerada pela decisão de Sharon de uma retirada unilateral de Gaza, no entanto, empurrou os americanos para uma envolvimento formal mais ativo. Em seis meses, a secretária de Estado Condoleezza Rice esteve mais vezes na região do que Colin Powell nos seus quatro anos no cargo. Em termos efetivos, foi pouco e tardiamente.

Existe um empenho americano a curto prazo para garantir um mínimo de viabilidade econômica e de segurança em Gaza com a retirada israelense. Mas a única superpotência tem pouco controle sobre os eventos, alem de estimular o diálogo entre autoridades israelenses e palestinas, patrocinar alguma assistência e rezar para que não se configure um cenário de caos e violência. Há, por exemplo, ansiedade sobre até onde os colonos judeus são capazes de ir na resistência à remoção ou a respeito das ações de grupos extremistas palestinos.

Dennis Ross, ex-negociador do governo Clinton para a região, lamenta o distanciamento da administraçao Bush e adverte que caso ela não intervenha, ninguém mais terá condições de fazê-lo. Ross reconhece o drama imediato.

Do lado israelense, haverá o desejo por uma pausa após o "trauma emocional" da retirada de Gaza, enquanto os palestinos vão pressionar por mais, desconfiados que, para Sharon, Gaza é uma mera concessão em troca do ganho maior que seria a consolidação do domínio israelense na Cisjordânia. Para Israel, o preço da devolução de Gaza seria a delimitação de fronteiras permanentes e não o início de negociações com vistas à construção de um Estado palestino viável.

O fato concreto é que Sharon rompeu o status quo e a prova da ousadia é que hoje ele representa o centro político em Israel, atacado à direita por setores ressentidos que o consideram um traidor da causa que seria preservar terras sagradas. Para a administração Bush, os desafios são complicados. Ela deve respaldar Sharon e também pressioná-lo a aceitar que a retirada de Gaza seja o primeiro e não o último passo da marcha. Bush precisa também pressionar as autoridades palestinas para que imponham ordem na situação.

É uma tarefa ingrata segurar a barra de Sharon, sem agravar o desencanto palestino. Não é à toa que haja tanta relutância americana para aderir à marcha da história.

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