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Atualizado às: 15 de agosto, 2005 - 16h15 GMT (13h15 Brasília)
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Análise: Sharon redesenha as fronteiras de Israel

Ariel Sharon
Manobras de Sharon vão pautar as negociações pela próxima década
A retirada israelense da Faixa de Gaza representa uma grande mudança no cenário político do Oriente Médio - do tipo que só acontece uma vez a cada década.

Ainda não se sabe se a iniciativa vai abrir caminho para um acordo final com a criação de dois Estados ou se é uma tentativa do primeiro-ministro Ariel Sharon de definir unilateralmente as fronteiras de Israel.

Como os fatos concretos costumam ser determinantes na região, a menos que haja pressão dos Estados Unidos por concessões, as manobras de Sharon vão pautar as negociações pela próxima década.

Ao final do processo de retirada, Sharon terá saído da Faixa de Gaza. Ele terá desmantelado também quatro pequenos assentamentos da Cisjordânia, mas terá consolidado os principais blocos de assentamentos (Ariel e Maale Adumim, entre outros).

O governo americano de George W. Bush já aceita que esses assentamentos não sejam removidos como parte do processo de paz.

Barreira

Sharon também terá erguido uma barreira, parte dela sobre o que é internacionalmente reconhecido como território palestino. Ela terá se tornado, na prática, uma nova fronteira, ou pelo menos uma linha de demarcação.

Jerusalém Oriental, vista pelos palestinos como sua capital, estará dentro dos limites estabelecidos pela barreira.

No total, cerca de 10% das terras que estão além da chamada linha verde, que marca as fronteiras anteriores à guerra de 1967, ficarão do lado israelense.

O fato de Sharon ter agido desta forma surpreendeu. O editor diplomático do diário israelense Haaretz, Aluf Benn, disse em maio num artigo na revista Foreign Affairs que havia se enganado sobre o primeiro-ministro num texto de 2002.

"Eu subestimei tanto sua capacidade de sobrevivência política quanto sua disposição para romper com o status quo", escreveu Benn.

Mas é bom lembrar que Sharon foi um general e que sua tendência ainda é buscar a manobra decisiva que determinará a vitória. Pode-se ver isso acontecendo agora.

No plano de retirada, ele tem mostrado a mesma criatividade para a defesa que costumava apresentar em acões de ataque, como no Canal de Suez, em 1973, ou na invasão do Líbano de 1982.

Na visão de Sharon, o conceito de segurança no país foi redefinido e agora é diferente do que era nos anos 1980. É, portanto, necessário um reposicionamento.

Demografia

A demografia é um fator que influencia essa mudança de pensamento de Sharon. Se Israel não fizesse nada, em 2025 teria uma maioria de árabes palestinos nos territórios que controla entre o mar e o rio Jordão.

A questão após a retirada de Gaza é se é possível realizar negociações com os palestinos que levem a um acordo completo.

Será a saída de Gaza uma volta ao "mapa da paz" no Oriente Médio, ou será apenas uma retirada e ponto final?

É difícil responder com segurança. Há muitas incertezas. Qual será a força do Hamas após eleições na Faixa de Gaza? Os dois lados estão prontos para dialogar?

E as demandas básicas dos palestinos, como Jerusalém Oriental, que em breve estará atrás da barreira? E as exigências israelenses de segurança?

Há não muito tempo, em 2000, o então presidente americano, Bill Clinton, os israelenses e os palestinos negociavam o controle dos últimos cem metros no coração da cidade velha de Jerusalém.

Isso agora está muito longe de acontecer. E ainda assim, pela primeira vez, o atual titular da Casa Branca, George W. Bush, declarou que é política dos Estados Unidos a criação de um Estado palestino. Até que ponto ele irá buscar implementar tal decisão até o finak de seu mandato?

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