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Atualizado às: 15 de agosto, 2005 - 08h53 GMT (05h53 Brasília)
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Serenidade religiosa se mistura à tensão nos assentamentos

A brasileira'israelense Nurit Abramovich, moradora da colônia de Netzarim
Colonos como a brasileira Nurit dizem seguir missão de Deus
Uma mistura de tensão e serenidade tomou conta dos assentamentos judaicos na Faixa de Gaza nos dias que antecedarem o início da retirada israelense da região.

Tensão porque é impossível ignorar que a partir de quarta-feira o exército vai entrar em todas as colonias de Gaza para retirar quem ainda não tiver saído por vontade própria.

Ao mesmo tempo, no entanto, muitos dos colonos – os mais religiosos, que são preponderantes na maioria do assentamentos - aparentam uma grande serenidade vinda da certeza de que ficar exatamente onde estão é uma missão dada por Deus para o povo judeu.

“Conquistar esta país é uma missão que Deus deu para gente. Eu não sou profeta e não sei o que vai acontecer e por isso continuo vivendo normalmente, como Deus quer”, disse a professora Nurit Abramovich, uma brasileira-isarelense de 25 anos, que está há 23 anos em Israel e há dois no assentamento de Netzarim.

“Deus é que sabe o que vai acontecer. Foi a fé do povo judeu que fez que com que o mar se abrisse para que nós o atravessássemos”, disse lembrando a passagem bíblica na qual o Mar Vermelho se abre na frente de Moisés e seus seguidores.

Tristeza

Colonos carregam carro para deixar Gaza
Muitos colonos já começaram a preparar a mudança de Gaza
Outro sentimento muito comum nestes dias nos assentamentos é de uma profunda tristeza, visível principalmente naquelas pessoas que já começaram a arrumar suas coisas para a saída indesejada.

As colônias judaicas na Faixa de Gaza começaram a ser instaladas por instrução da então primeira ministra Golda Meir depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Nestes mais de 30 anos, os assentamentos se tornaram verdadeiras cidades com grandes casas, plantações, fábricas e uma infra-estrutura de primeira linha. Quase tudo vai ser demolido pelo governo israelenses depois da retirada.

“Me contaram que há trinta anos não havia nada aqui e hoje isso parece a California. É um absurdo chegar na casa que alguém e simplesmente dizer para o morador ir embora”, disse o judeu americano Moshe Scwartz, que veio de Nova York para o assentamento de Neve Dekalim para ajudar seus moradores a resistir à retirada.

Religião

Scwartz diz que tirar os judeus da Faixa de Gaza é um grande erro para toda a humanidade porque “Deus quer que eles fiquem aqui.”

“A Bíblia diz que Israel é dos judeus e eu tenho certeza que os árabes não vão se dar bem aqui. Tomar esta terra dos judeus é roubo e Deus está vendo isso.”

Ônibus para transporte de colonos em Netzarim
Colonos de Netzarim usam ônibus blindados para entrar e sair do local
O americano diz que promover a paz com os árabes não é algo que deva recair sobre os ombros da comunidade judaíca porque eles estão apenas lutando pela própria sobrevivência.

“Sempre que os judeus fizeram concessões acabaram sendo vítimas de mais ataques. Os árabes não querem os judeus nesta terra tudo o que eles chamam de negociações são só camimhos para chegar a este objetivo”, disse.

Governo

Mas agora os colonos acabaram perdendo o apoio irrestrito de importante aliados na direita, como o próprio primeiro-ministro Ariel Sharon.

Enquanto os militantes palestinos dizem que a saída isarelenses foi provocada pela resistência armada, dentro de Israel e avaliação é simplesmente a de que não vale mais a pena para o país ficar dentro de Gaza.

Entre os motivos, está o custo de se manter a segurança de comunidades que ficam ilhadas em meio a territórios palestinos, em geral apenas com um corredor de saída para o território israelense.

Para se chegar aos assentamentos no bloco de Gush Katif – o maior conjunto de colônias na Faixa de Gaza – é necessário atravessar quilômetros de estradas completamente cercadas de arame farpado ou barreiras de concreto.

Os moradores do assentamento de Netzarim, que fica isolado no centro de Faixa de Gaza, têm que tomar uma espécie de ônibus blindado – que mais parece um tanque de guerra – para entrar e sair de casa em segurança.

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