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Atualizado às: 28 de julho, 2005 - 20h06 GMT (17h06 Brasília)
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Wall Street continua otimista com o Brasil

Placa da rua em Wall Street
Analistas acreditam que o Brasil cresce entre 3,5% e 4% em 2006
Apesar das recentes oscilações do mercado financeiro causadas pela crise política, analistas econômicos e investidores de Wall Street estão otimistas em relação à economia brasileira.

"Acredito que se o governo mantiver sua política fiscal, o cenário econômico continuará estável," disse Lisa Schineller, diretora de risco soberano da agência Standard&Poors.

"As instituições brasileiras nunca foram tão fortes, e agora em um momento de crise, elas estão sendo testadas."

Reunidos na manhã desta quinta-feira em um seminário da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, os cinco analistas palestrantes chegaram a prever que o crescimento da economia brasileira em 2006 ficará na faixa entre 3,5% e 4%, superando até mesmo o crescimento previsto pelo governo brasileiro para 2005, reduzido recentemente para 3,4%.

Juros americanos

A única voz dissonante foi Albert Fishlow, professor da Universidade Columbia, que mediou o debate.

"Acredito que a situação política no Brasil é mais complicada do que parece, e que o aumento dos juros nos Estados Unidos e um possível desaquecimento da economia chinesa em 2006 podem afetar negativamente a economia brasileira," disse.

Fishlow afirmou também que ao contrário do que previram os demais analistas, dificilmente os juros brasileiros serão reduzidos para o patamar de 10% em termos reais nos próximos meses, como Wall Street vinha prevendo.

Para o brasilianista, o principal desafio brasileiro é a realização de uma reforma política "genuína," que garanta o funcionamento do Congresso Nacional.

"Dificilmente isso ocorrerá em curto prazo, e infelizmente tudo leva a crer que as próximas eleições ainda serão patrocinadas com recursos ilegais."

"E um Congresso frágil prejudica o andamento das reformas de que o país precisa, e isso, por sua vez, acaba afetando negativamente a economia brasileira."

Mandato de Lula

Diante das previsões mais sombrias de Fishlow, o analista Stephen Cunningham, diretor do departamento de América Latina do banco Morgan Stanley, disse que "durante a campanha eleitoral de 2002, os mercados entraram em pânico e nada aconteceu. Mas agora, não deixa de ser preocupante saber que enquanto Wall Street está otimista com o Brasil, os próprios brasileiros se mostram pessimistas."

Segundo Michael Hood, estrategista para América Latina do banco Barclay’s, Wall Street está atento para três riscos: "uma correção da política fiscal brasileira, com o abandono da austeridade; a eleição de um novo presidente que adote uma política menos favorável aos mercados e um virtual impeachment do presidente Lula."

Mas Hood acredita que dificilmente Lula deixará o governo sem terminar o mandato.

De acordo com Geoffrey Dennis, diretor do departamento de América Latina do banco Smith Barney, o risco de Lula sofrer um impeachment está entre 15% e 20%.

Os analistas acreditam que o alto apoio popular de Lula e a ausência de provas de envolvimento pessoal do presidente no suposto esquema do "mensalão" devem poupá-lo.

"Além disso, durante o impeachment de Collor, era o PT quem liderava e pressionava pela queda do presidente," disse Ernest Chip Brown, diretor do departamento de América Latina do banco Santander.

"Hoje não vejo nenhum incentivo semelhante para que Lula perca o mandato."

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