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Caso de escocês morto após engano se arrasta desde 1999 | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Jean Charles de Menezes não foi a primeira pessoa a morrer em circunstâncias duvidosas nas mãos da polícia britânica. A morte do brasileiro, que ocorreu em meio a tensões enfrentadas pela polícia depois de uma série de ataques a bomba em Londres, é parte de uma lista de controvérsias envolvendo policiais no país. Há somente um mês, policiais metropolitanos foram presos por agentes secretos que investigam a morte do escocês Harry Stanley, no bairro de Hackney (leste de Londres), em 1999. O caso não foi resolvido até hoje. Familiares e amigos de Stanley fazem campanha para que os policiais enfrentem um julgamento criminal. Há duas investigações separadas para o caso e duas revisões judiciais. Armas O caso Stanley gira em torno da questão se os policiais agiram corretamente ao atirarem no escocês, na época com 46 anos.
Os policiais atiraram contra Stanley quando ele carregava uma sacola onde a polícia suspeitava que houvesse uma arma de fogo. Na verdade, a sacola só continha o pé de uma mesa. A maioria das forças policiais na Grã-Bretanha só pode usar armas de fogo sob uma série de condições: os policiais precisam ser identificados e se comprometer a só usar as suas armas em circunstâncias de extrema necessidade; a prioridade é incapacitar a vítima e, em caso de morte, a polícia precisa justificar por que atirou para matar. Essas condições foram estabelecidas após um incidente com o editor de filmes Stephen Waldorf, no oeste de Londres, em 1983. Waldorf levou cinco tiros de policiais que caçavam um fugitivo da prisão. Mas sobreviveu. A polícia teria confundido Waldorf com o fugitivo. Os policiais foram inocentados. Quinze anos depois, policiais em Sussex (sul da Inglaterra) mataram um homem chamado James Ashley quando ele estava deitado, pelado, em sua cama com a namorada. As circunstâncias da morte nunca foram esclarecidas, mas o chefe da polícia de Sussex acabou renunciando. Os policiais responsáveis pelo erro acabaram sendo absolvidos. No mês passado, a família de Derek Bennett, morto a tiros pela polícia em julho de 2001 em Brixton (sul de Londres), ganhou o direito de processar a polícia por assassinato. Os policiais atiraram nele quando ele carregava um isqueiro que os policiais acharam que era uma arma. Terrorismo Depois dos ataques de 7 de julho, o departamento antiterrorismo da Polícia Metropolitana implementou novas políticas em resposta a suicidas. O condinome da operação é Kratos e ela foi elaborada com base nas experiências das forças de segurança em Israel. A orientação é que um policial pode atirar na cabeça de um suspeito que apresente risco iminente para o público. Caso as testemunhas do caso de Jean estiverem certas, essa seria a primeira vez que a operação Kratos foi posta em ação na Grã-Bretanha. O Sinn Fein (braço político do IRA, movimento separatista da Irlanda do Norte) afirma que a polícia e o Exército britânico já usaram essas regras para executar integrantes do IRA na Irlanda do Norte. Entre os casos, estão os assassinatos de quatro integrantes do IRA em 1992; três em 1991, e três outros em 1988, em Gilbratar. Roy Ramm, ex-diretor da Scotland Yard disse à BBC que, "de uma maneira geral, a polícia mira na maior parte do corpo do suspeito: o tronco". "O problema de a polícia continuar com essa estratégia é que, no caso de o suspeito ter uma bomba, atirar no tronco pode detonar a bomba. Isso não deixa outra opção se não atirar na cabeça. E um tiro na cabeça geralmente mata." A morte de Jean Charles de Menezes mostra que a prática pode ter conseqüências trágicas. Isso pode fazer com que a Scotland Yard repense a norma. |
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