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Atualizado às: 19 de julho, 2005 - 12h53 GMT (09h53 Brasília)
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EUA mataram mais civis do que os insurgentes no Iraque

Ferido em Baquba
Em dois anos, 42.500 civis iraquianos ficaram feridos
Desde de 2003, as forças de coalizão no Iraque e, principalmente, as forças americanas, mataram quatro vezes mais civis no Iraque do que a resistência no país.

A informação está em um relatório do projeto Iraq Body Count (Contagem das Mortes no Iraque, em tradução livre), divulgado nesta terça-feira.

Cerca de 37% das mortes violentas de 24.865 civis iraquianos ocorridas nos dois primeiros anos de conflito foram de responsabilidade das forças lideradas pelos Estados Unidos no país, sendo que, desse total, 98,5% são atribuídas ao Exército americano.

As forças contra a ocupação, também chamadas de insurgência, mataram 9% dos civis.

A segunda maior fonte de mortes, segundo o relatório, é a violência comum, provocada por criminosos: 36% das vítimas civis.

O restante das mortes não teve sua origem identificada – ou foram provocadas pelos dois lados do conflito (sem definição de que lado) ou por agentes desconhecidos.

Bombardeios

Segundo o dossiê, o maior número de civis morreu durante os primeiros meses da invasão, até o final de abril de 2003.

Foi nessa fase que ocorreu boa parte das mortes provocadas pelos americanos.

"Depois disso, o número (de civis mortos) caiu drasticamente, mas, mês após mês, começamos a ver um aumento de mortes novamente, praticadas principalmente por insurgentes", afirmou um dos fundadores do grupo, o britânico John Sloboda.

O relatório tentou identificar a ocupação profissional dos civis mortos desde o início da invasão e constatou que as principais vítimas eram policiais civis, seguranças, pessoas ligadas a atividades políticas, funcionários do governo e pessoas que forneciam algum tipo de serviço às forças militares de ocupação - alvos preferenciais dos insurgentes.

Mas também foram registradas muitas mortes de crianças – 9,3% do total.

"O número alto de mortes de crianças e de feridos é causado pelas bombas que, na maioria das vezes neste conflito, são lançadas de aviões das forças lideradas pelos Estados Unidos", disse Sloboda.

Por outro lado, o estudo ressalta que os crimes comuns no Iraque raramente são noticiados pela imprensa estrangeira, portanto, o número de mortes provocadas pelo aumento da criminalidade pode ser muito maior do que o relatado.

Cidades

Como não existem dados oficiais sobre o número de civis mortos no conflito do Iraque, o grupo Iraq Body Count, em parceria com o Oxford Research Group, analisou mais de 10 mil matérias jornalísticas publicadas desde o início da invasão do país.

O Iraq Body Count foi criado por cidadãos americanos e britânicos, em janeiro de 2003, quando, segundo eles, "tinha ficado claro que uma invasão no Iraque seria quase inevitável".

Segundo Sloboda, o principal objetivo do dossiê publicado nesta terça-feira é "mostrar aos governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que é possível realizar uma contagem detalhada de civis mortos no conflito".

"O governo britânico, por exemplo, disse várias vezes que não acredita que esse trabalho seja possível. Mostramos que não é necessário muito tempo nem esforço para isso. E se um pequeno grupo de voluntários pode fazê-lo, obviamente os governos, com seus imensos recursos, também podem", disse Sloboda.

O britânico também afirmou que apesar de não saber dizer se os ataques realizados em Londres no último dia 7 podem ter sido gerados pela morte de civis inocentes em países como o Iraque, "o fato de essas mortes não serem contabilizadas pelos países ocidentais está aumentando o ódio do mundo muçulmano".

A capital iraquiana, Bagdá, cidade que concentra o maior número de habitantes no Iraque (mais de 5,5 milhões), foi palco do maior número de mortes, com 11.264.

A segunda cidade onde foram registrados mais assassinatos de civis foi Fallujah (1.874 mortes), onde os Estados Unidos realizaram duas operações contra insurgentes em 2004.

O relatório também conclui que essas operações realizadas em Fallujah não surtiram o efeito desejado, que era enfraquecer os insurgentes.

"Se você olha o gráfico de mortes praticadas por insurgentes mês a mês, depois das duas operações em Fallujah os números aumentaram em vez de diminuir, portanto, essas duas operações parecem não ter tido efeito", disse Sloboda.

'Praga do terrorismo'

O governo iraquiano recebeu bem a atenção que o relatório dispensou às vítimas iraquianas, mas disse que é um erro afirmar que a "praga do terrorismo" matou menos iraquianos do que as forças de coalizão.

"As forças internacionais tentam evitar mortes de civis, enquanto os terroristas têm civis como alvo e tentam matar o maior número possível deles", diz uma nota do governo do Iraque.

"A origem do sofrimento do Iraque é o terrorismo, herdado do regime fascista de Saddam Hussein e de uma ideologia fundamentalista equivocada".

"Todos sabem que as forças internacionais são necessárias no Iraque, de maneira temporária, e que elas vão deixar o Iraque numa data escolhida pelos iraquianos, não em resposta à pressão terrorista."

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