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Atualizado às: 07 de julho, 2005 - 07h49 GMT (04h49 Brasília)
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EUA querem discutir novas tecnologias contra aquecimento

O presidente americano George W. Bush
Em 2001, Bush anunciou a retirada dos EUA do tratado de Kyoto
Os Estados Unidos querem discutir o uso de novas tecnologias para combater as mudanças climáticas e o aquecimento global, mas o presidente americano George W. Bush já descartou a adesão do país a qualquer acordo no estilo do Protocolo de Kyoto.

Na reunião com os outros líderes do G8, nesta quinta-feira, Bush deve salientar que os Estados Unidos estão investindo bilhões de dólares para desenvolver novas fontes de energia não-poluentes para substituir combustíveis fósseis como petróleo e carvão.

De acordo com o governo, US$ 20 bilhões foram investidos até agora em pesquisa e mais US$ 5,5 bilhões serão aplicados em 2006. Os Estados Unidos estão desenvolvendo carros híbridos, novas tecnologias para uso de carvão e a utilização de hidrogênio como combustível.

Mas especialistas dizem que somente o uso de novos combustíveis não será suficiente e que é preciso também reduzir a emissão dos gases que causam o efeito estufa para desacelerar o aquecimento global.

Todos os outros países do G8 – Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Rússia – já ratificaram o Protocolo de Kyoto, que foi assinado em 1997 e entrou em vigor em fevereiro deste ano, com a adesão da Rússia.

Nos Estados Unidos, o acordo foi rejeitado pelo Senado por 95 votos a 0, ainda em 1997, e apesar de assinado naquele mesmo ano pelo então vice-presidente Al Gore, nunca foi ratificado pelo Congresso.

Emergentes

Quando assumiu, em 2001, Bush anunciou que o país estava se retirando do tratado. Ele alegou que o acordo não exigia reduções dos países em desenvolvimento, como China e Índia, que podem se tornar os maiores poluidores mundiais se continuarem crescendo no ritmo atual.

O argumento americano é que o Protocolo de Kyoto teria efeitos econômicos negativos para a economia americana.

"Se for parecido com Kyoto, a resposta é não. O Protocolo de Kyoto teria destruído a nossa economia", afirmou Bush numa entrevista à televisão britânica na semana passada ao ser questionado sobre a disposição do país em assinar um acordo para reverter o aquecimento global.

O professor Robert Stavins, diretor do Programa de Economia Ambiental da Universidade de Harvard, diz que o custo de implementação do Protocolo de Kyoto é muito mais elevado para os Estados Unidos do que para os países europeus.

A diferença, segundo Stavins, é que a economia americana cresceu muito nos anos 90, justamente o período utilizado como base para o acordo. No mesmo período, a Europa teve a reunificação da Alemanha e a modernização do setor industrial britânico, permitindo que a região cumpra as metas sem ter que sacrificar o crescimento econômico, já que o perfil da indústria mudou nesses dois países.

"Para os Estados Unidos, uma redução nominal de 5% na emissão de carbono - entre 2008 e 2012 comparando com o nível de 1990 - significa na prática uma redução de 30%, por causa do crescimento econômico que houve neste período", afirma Stavins.

 Todo mundo vai investir em novas tecnologias. É uma boa estratégia, mas não é completa
John Holdren, diretor do Programa de Políticas Públicas de Ciência e Tecnologia do Centro Belfer para Ciência e Assuntos Internacionais da Universidade de Harvard

Mas isso não significa, diz ele, que os Estados Unidos não deveriam participar das negociações internacionais sobre o assunto. "O problema do aquecimento global demanda uma abordagem global, multilateral", diz.

Um projeto para uma nova lei de recursos energéticos, que inclui incentivos para ampliar o uso de álcool combustível, está tramitando no Congresso americano.

"No que diz respeito aos Estados Unidos, o Protocolo de Kyoto está morto", diz Bonner Cohen, pesquisador do National Center for Public Policy Research.

Cohen diz que a participação americana no G8 deve se limitar a menções vagas a novas tecnologias e pesquisas. "Explorar novas tecnologias é uma coisa boa, mas ainda não se sabe se alguma delas vai ter algum efeito no clima mundial", afirma.

Impasse

Os especialistas concordam que, mais do que discutir Kyoto, cujas metas vão até 2012, é preciso pensar em estratégias de longo prazo, para tentar resolver o problema de forma mais definitiva.

"Todo mundo vai investir em novas tecnologias. É uma boa estratégia, mas não é completa", diz John Holdren, diretor do Programa de Políticas Públicas de Ciência e Tecnologia do Centro Belfer para Ciência e Assuntos Internacionais da Universidade de Harvard.

"Não é verdade que uma combinação de novas tecnologias e voluntarismo será suficiente. É preciso reduzir a emissão de emissões de gás carbônico", afirma.

Holdren diz que não se deve esperar muito desse encontro. "Os Estados Unidos não devem apresentar nada que mereça o nome proposta."

O cientista vê duas possibilidades para solucionar o impasse entre a posição britânica, de um documento forte com medidas para reduzir o aquecimento global, e a resistência americana. "Ou teremos um documento fraco com a concordância de todos, ou uma posição mais forte respaldada pelos sete países, mas sem o apoio americano", diz.

Grupos ambientalistas também temem que sem a liderança americana o assunto acabe ficando de fora das decisões do G8.

"Sem a concordância dos Estados Unidos em um documento dizendo que o aquecimento global é um problema sério, não acho que vamos ver o G8 com alguma solução que faça muita diferença", diz o diretor do Chesapeake Climate Action Network, Mike Tidwell.

"É muito triste para todos os outros países que o país mais rico do mundo, com capacidade de produzir carros supereficientes, promover energia eólica e desenvolver hidrogênio se recusa a fazer alguma coisa", diz ele.

"Estamos forçando países pobres na África, na Ásia e em outros lugares a sofrer as consequências do aquecimento global. É um abuso dos direitos humanos", afirma.

Cerca de 30 ambientalistas e líderes de organizações não-governamentais participam de um protesto, em frente à Casa Branca, no qual vão ficar em jejum durante a duração do encontro do G8, para pressionar o governo americano a mudar sua postura em relação a questões ambientais.

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Leia reportagens e análises sobre o encontro na Escócia.
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