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Barreira de Israel faz palestinos se sentirem em 'prisão' em Belém | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Palestinos que vivem em Belém, na Cisjordânia, se queixam de estar vivendo como em uma “prisão” desde que foi concluída a parte da barreira israelense que separa o norte da cidade do sul de Jerusalém. “Já nos acostumamos com a idéia de que vivemos em uma prisão”, disse Johnny Caravan, proprietário de uma loja de souvenirs, à BBC Brasil. “Agora só rezamos para que as autoridades israelenses deixem os turistas entrarem.” Um porta-voz do Exército de Israel disse que “a cerca de segurança é um componente central na resposta de Israel à horrenda onda de terrorismo procedente da Cisjordânia, que resultou em suicidas que entram em Israel com a intenção exclusiva de matar pessoas inocentes”. Ele também afirmou que a barreira tem se mostrado “eficiente”. Anexação O trecho da barreira entre Belém e Jerusalém foi concluída recentemente. Neste trecho, a barreira consiste de um muro de concreto de oito metros de altura que bloqueia a entrada principal de Belém e cerca todo o nordeste e noroeste da cidade. Na entrada principal restou uma abertura de quatro metros, onde no futuro deverá ser instalado um portão. O muro passa dentro da cidade, perto das casas dos habitantes, de fato anexando a parte norte de Belém a Israel. Na rua Caritas, os habitantes se queixam de que o muro impede a passagem dos raios solares e que, desde o término da construção, as casas se tornaram mais frias e escuras. Turismo A principal fonte de subsistência dos habitantes de Belém é o turismo, e os habitantes dizem que nos últimos meses houve uma certa melhora neste setor. “Passamos por um período muito difícil”, disse Issa, um guia turístico de 45 anos que tem seis filhos. “Desde o inicio da Intifada, fiquei quatro anos quase sem trabalho nenhum, mas nos últimos meses, desde o cessar-fogo, se nota uma certa melhora.” Ele se referiu ao cessar-fogo decretado em fevereiro pelo primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas. Desde o início da Intifada, em Setembro de 2000, Belém sofreu quatro invasões das tropas israelenses, e o centro histórico da cidade ficou seriamente danificado. Nos últimos meses a prefeitura reparou os danos, e a aparência da cidade recobrou uma certa normalidade. Economia reaquecida O cessar-fogo e a trégua decretada pelos grupos militantes palestinos trouxeram de volta os turistas e os peregrinos, e a economia da cidade está se reaquecendo. Mas a construção do muro desperta desconfiança em relação ao futuro. “O muro é uma prova de que não teremos paz nem a curto nem a médio prazo”, diz Johnny Caravan. “Mas o que nos preocupa agora é se poderemos subsistir economicamente.” No muro se vêem vários grafites pintados pelos habitantes da cidade. Em alguns lugares, textos dizem “Este muro deve cair”; em outros, há pinturas ironizando a situação em Belém, com imagens de paisagens pastorais pintadas sobre o muro cinzento. |
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