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Atualizado às: 11 de junho, 2005 - 15h51 GMT (12h51 Brasília)
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Brasil pode ficar sem gás apesar de trégua na Bolívia

Pessoas acenam para mineiros num caminhão
Grupos de protesto continuam bloqueando estradas
Líderes de duas organizações que comandaram os recentes protestos na Bolívia rejeitaram neste sábado um pedido do presidente interino do país, Eduardo Rodríguez, para uma reunião de gerenciamento da crise política.

De acordo com um porta-voz do governo boliviano e com o jornal La Razón, os protestos podem prejudicar o fornecimento de gás para o Brasil, o principal cliente da Bolívia.

Desde a posse de Rodriguez, várias estradas e postos de petróleo foram liberados pelos manifestantes.

Os líderes de grupos de oposição da cidade de El Alto, localizada ao lado da principal cidade boliviana, La Paz; a Federação das Associações de Moradores dos Bairros Carentes de El Alto e a Central Obreira Boliviana, decidiram manter o protesto que inclui o bloqueio do acesso à cidade e a ocupação da refinaria Senkata, que abastece as cidades de La Paz e El Alto, onde fica o aeroporto internacional de La Paz.

Racionamento

Segundo assessores do ministério da Energia, a ocupação interrompe a cadeia produtiva de gás e poderia afetar ainda mais o envio do produto ao Brasil.

Na refinaria de gás Senkata, os manifestantes impedem a entrada e a saída dos caminhões que transportam botijões de gás de cozinha, diesel e gasolina.

A decisão está provocando racionamento forçado de gás nas residências, nos hotéis e nos hospitais destas duas cidades.

Apesar das baixas temperaturas registradas nessa época do ano, muitos destes locais já não têm água quente nos chuveiros e nem aquecedores.

"O bloqueio do consumo interno está deixando os tanques de gás, gasolina e diesel abarrotados. Já não temos mais onde armazená-los", disse um assessor do governo.

Ou seja, a saída dos indígenas dos sete postos de petróleo e gás não seria suficiente para restabelecer mais rapidamente a normalidade no fornecimento destes produtos.

Perdas

Um dia depois de Rodríguez começar a trabalhar no palácio presidencial em La Paz, os bolivianos começam a fazer as contas das perdas econômicas que tiveram em 20 dias de paralisação. O acesso a oito dos nove estados do país foi interrompido por pedregulhos, árvores e fogueiras.

Até agora, oficialmente, o Tesouro Geral da Nação deixou de arrecadar neste período 40 milhões de bolivianos (o equivalente a cerca de R$ 12 milhões), mas segundo o economista Carlos Villegas, os prejuízos seriam muito maiores.

"As empresas do setor de energia não só suspenderam projetos de investimentos no país, como ainda contabilizam as perdas diárias com a interrupção desde o abastecimento nos postos de gasolina até o gás de cozinha e o que é enviado para o Brasil e a Argentina", disse o economista.

O líder da Federação das Associações de Moradores dos Bairros Carentes de El Alto, Abel Mamani, justificou a continuidade dos protestos dizendo que pouco se conseguiu nas últimas horas.

Eleições

"Nós só conseguimos as renúncias do presidente do Congresso, Vaca Díez, e da Câmara dos Deputados, Mario Cossio, mas ainda não temos garantias de que as eleições gerais serão realmente antecipadas", disse ele.

"Enquanto não tivermos mais garantias, nosso protesto vai continuar."

A cidade de El Alto, nas proximidades do aeroporto internacional de La Paz, é um mar de lixo e pedregulhos. Os carros da coleta de lixo não entram no local há mais de dez dias.

O policiamento continua reforçado em La Paz e em outras cidades.

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