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Atualizado às: 02 de junho, 2005 - 10h15 GMT (07h15 Brasília)
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Rejeição de Carta européia gera ambivalência nos EUA

Plebiscito
Blinder identifica uma crise de identidade nas vitórias do 'não'
O projeto europeu está mais fraco, na esteira da vitória do "não" nos plebiscitos desta semana na França e na Holanda sobre a Constituição da União Européia. É um cenário visto com ambivalência do outro lado do Atlântico.

Não há dúvida que os reveses de Jacques Chirac, no plebiscito francês, e de Gerhard Schröder, uma semana antes, nas eleições regionais alemãs, são motivos de alguma satisfação pessoal na Casa Branca.

Afinal, eles foram os líderes entre os aliados tradicionais dos EUA que personificaram resistência à invasão do Iraque, mas esta fraqueza no centro nevrálgico da Europa significa incertezas políticas e econômicas, o que é motivo de preocupação em Washington.

E há outros componentes de inquietação, pois tampouco é confortável a situação de aliados de confiança do governo Bush, como o britânico Tony Blair e o italiano Silvio Berlusconi. Hoje os principais dirigentes europeus parecem unidos, antes de tudo, na precariedade.

Após a Segunda Guerra Mundial, sucessivos governos americanos (democratas e republicanos) incentivaram a integração européia sob a batuta franco-alemã. A postura mudou com George W. Bush. Ele é diferente dos antecessores devido aos seus pendores unilateralistas, e o contexto estratégico é outro.

Âncora européia

Até os anos 70, uma sólida âncora européia era vital para manter os alemães próximos dos seus vizinhos ocidentais e assim frear os seus instintos nacionalistas. Isso era aceito em Washington mesmo ao preço de concretizar os sonhos de grandeza da França como o motor da integração européia.

Uma Europa (ocidental) cada vez mais coesa também era crucial como barreira anti-soviética.

Mas o perigo soviético morreu, e a projeto europeu cresceu a ponto de ser visto como um contrapeso à hegemonia americana no pós-Guerra Fria e, mais recentemente, à ascensão da China. E ninguém foi tão convicto desta aspiração como Jacques Chirac.

E neste momento de precariedade, o presidente francês inclusive faz o que pode para recuperar a iniciativa e manter engrenado o seu projeto de grandeza européia.

É sintomático que ele tenha selecionado Dominique de Villepin para ser primeiro-ministro. Como Chirac, ele é um exuberante promotor do projeto de um mundo multipolar, não dominado pelo gigante americano. Ironicamente, Bush incentivou a rápida expansão européia nos últimos anos.

'Velha Europa'

Os sócios do bloco oriental eram vistos como pró-americanos e capazes de diluir a hegemonia da "velha Europa", corporificada pela França e Alemanha.

Uma Europa muito forte incomoda Washington. Mas muito fraca, também. Depois dos estragos provocados pela invasão do Iraque, houve um empenho mútuo para um conserto no relacionamento EUA-Europa. O governo Bush precisa de parceiros europeus para lidar com as crises no Oriente Médio.

E hoje o trio Grã-Bretanha-França-Alemanha conduz negociações nucleares com o Irã, que, na falta de opções mais atraentes, são digeridas pelos americanos.

A vitória do "não" nos plebiscitos desta semana na França e na Holanda também pode prejudicar as conversações da islâmica Turquia para acesso à União Européia, um projeto impulsionado por Washington.

Não é à toa que este quadro de incertezas gere sentimentos ambivalentes nos EUA. Aliás, este é o próprio estado de espírito europeu.

66Referendo
Franceses rejeitam Constituição da UE; veja imagens.
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