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Amazônia não deve ser usada para benefício privado, diz 'NYT' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diário americano The New York Times dedica um de seus editoriais nesta terça-feira à ameaça do desflorestamento na Amazônia. O texto, intitulado "Amazônia sob risco", argumenta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "precisa convencer a si mesmo e à oligarquia agrícola de seu país de que a floresta tropical não é uma commodity para ser explorada para o benefício privado". O jornal relata os últimos dados de desmatamento – no ano passado, foi registrado na Amazônia o segundo maior índice da história – e observa que um dos principais problemas é o cultivo da soja, facilitado pelo governador do Mato Grosso e "rei da soja", Blairo Maggi. "Há pessoas no governo brasileiro, em particular a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que acreditam haver melhores formas de ajudar a economia brasileira que transformar uma valiosa floresta tropical em ração para gado, o que é basicamente o que Maggi vem fazendo", afirma o New York Times. "Mas eles precisam de ajuda – de agências multilaterais de empréstimo, que devem condicionar futuros investimentos a práticas ambientais corretas. E de organizações ambientalistas, que precisam manter a pressão pública." O diário afirma que o governo brasileiro vem tentando criar reservas, áreas de preservação e reduzir subsídios aos fazendeiros que desmatam. Apesar disso, completa, "a Amazônia parece ainda amplamente imune à lei, especialmente num país em que não há nem de perto polícia suficiente para fazer valer as regras, onde crescimento econômico parece estar acima de tudo e onde políticos locais poderosos tendem a ter mais influência que o governo nacional". Vôos da CIA O New York Times também publica nesta terça-feira uma reportagem investigativa sobre o uso de empresas de aviação civil pela CIA em missões para capturar acusados de terrorismo em outros países. O diário conta que a agência de inteligência dos Estados Unidos utiliza algumas companhias para ocultar o fato de que possui pelo menos 26 aeronaves usadas em suas operações secretas – dez delas compradas desde os atentados de setembro de 2001. A mais usada das empresas aéreas de "fachada" é a Aero Contractors, cujos vôos partem do pequeno aeroporto do Condado de Johnston, na Carolina do Norte – geralmente fazem escala em Washington para pegar seus passageiros da CIA antes de seguir para destinos como Afeganistão, Paquistão, Iraque e Líbia, entre outros. "Os aviões civis podem ir a lugares em que aeronaves militares americanas não seriam bem-vindas", explica o jornal, afirmando que muitas vezes os jatos executivos conseguem passar despercebidos em meio ao intenso tráfego aéreo internacional. O texto conta que agentes da CIA costumam ser enviados a países em que suspeitos da Al-Qaeda foram detidos, para interrogá-los e, muitas vezes transferi-los de avião para um país onde Washington quer vê-los presos e julgados. Crise na Europa A vitória do "não" no referendo sobre a adoção da Constituição da União Européia continua a repercutir nos diários do continente. Com a manchete "Impasse", o Le Monde afirma que o resultado pode minar o "frágil compromisso" sobre o qual se sustenta a integração da Europa. "A rejeição mostra, principalmente, que a maioria dos franceses não são mais favoráveis à Europa", observa o jornal. Para a publicação, entre os motivos que levaram os eleitores a rejeitar o tratado estão "nacionalismo, xenofobia, dogmatismo e nostalgia". Na opinião do alemão Frankfurter Rundschau, "o não da França é a crise da Europa". Superar essa crise, acrescenta o jornal, deve ser a prioridade da União Européia. Para o espanhol El Mundo, o resultado do referendo é "uma notícia terrível que marca o fim de um projeto de construir uma grande federação capaz de competir contra potências como os Estados Unidos e a China". Já os diários da Grã-Bretanha concentram sua cobertura na decisão a ser tomada pelo primeiro-ministro Tony Blair sobre a realização ou não de um referendo no país. O Financial Times afirma em sua manchete que Blair deve cancelar a votação sobre a Constituição européia caso vença o "não" na Holanda nesta quarta-feira. O Guardian diz que Blair deve reservadamente consultar o presidente francês, Jacques Chirac, sobre a possibilidade de realização de um novo referendo na França para aprovar o tratado. "Uma resposta negativa do presidente francês abriria o caminho para a Grã-Bretanha, República Tcheca e Polônia – que enfrentam difíceis referendos – cancelar suas votações, afirmando que a Constituição está morta", diz o jornal. |
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