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Atualizado às: 20 de maio, 2005 - 20h57 GMT (17h57 Brasília)
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Tommy Lee Jones fala de amizade na fronteira EUA-México

Tommy Lee Jones ajusta o vestido da atriz January Jones, ao lado do ator Julio Cesar Cedillo (foto AP)
Tommy Lee Jones ajusta o vestido da atriz January Jones, ao lado do ator Julio Cesar Cedillo
A estréia do ator Tommy Lee Jones na direção de um longa para o cinema, The Three Burials of Melquiades Estrada, foi exibida nesta sexta-feira em Cannes entre os filmes que competem pela Palma de Ouro.

Jones veio bem acompanhado. O roteirista é Gillermo Arriaga, responsável pelos roteiros de Amores Brutos e 21 Gramas, filmes dirigidos por Alejandro Gonzales Inharritu.

O ator já dirigiu um filme para televisão, Good Old Boys, em 1995, e agora resolveu se aventurar pela tela grande.

Tommy Lee Jones afirma que The Three Burials of Melquiades Estrada não era um filme que ele tinha que fazer, mas sim que ele queria fazer, principalmente porque é uma história que se passa perto de sua casa, no Texas, na região da fronteira americana com o México.

“Eu, (Guillermo) Arriaga e o produtor Michael Fitzgerald somos companheiros de caçada. Um dia saímos e juntos e eu falei: ‘tem muito talento dentro desta caminhonete, que tal fazermos um filme?’"

Eles então decidiram que o tipo de filme que queriam fazer teria que ser rodado no México ou no Texas, sem concessões ao lado comercial. Seria, para alguns, um filme de arte.

“No fim de uma conversa, trabalhamos nas idéias do filme e dois anos depois estamos todos em uma praia em Cannes”, disse Lee Jones.

Fronteira

O longa conta a história de um imigrante que vivia ilegalmente na parte americana da fronteira, Melquiades Estrada. Ele é morto a tiros e enterrado em uma cova rasa no deserto do Texas.

A polícia não tenta resolver o crime, apenas transfere o corpo para um outro cemitério, para indigentes.

Seu amigo, o rancheiro americano Pete Perkins, interpretado por Tommy Lee Jones, investiga o caso por conta própria, descobre quem é o assassino e o seqüestra, obrigando-o a desenterrar o corpo.

Os dois levarão o corpo de Melquiades Estrada para o local de seus sonhos, no México, em uma jornada pelo deserto para o terceiro enterro.

O roteirista Guillermo Arriaga nega que o filme tenha uma mensagem contra a política dos "vigilantes" - os rancheiros da fronteira dos Estados Unidos que fazem justiça com as próprias mãos.

“A paisagem molda os personagens, eles têm uma ternura, mas também são durões. Eles têm beleza e crueldade, e também instintos básicos”, afirma o roteirista.

Para Arriaga, o longa também não é o contrário, uma apologia à justiça dos vigilantes.

“É um filme sobre amizade em que um amigo precisa atender à promessa feita ao que morreu, e embarca em uma jornada para mostrar ao assassino de seu amigo toda a dor que ele causou. É uma jornada de conhecimento, lealdade e redenção”, segundo Arriaga.

Revista e interrogatório

Barry Pepper, ator canadense que interpreta o matador de Melquiades Estrada, afirma que, para fazer seu trabalho, ele teve muita ajuda do ator que interpreta Melquiades, Julio Cedillo - que é da região onde o filme foi rodado.

“Ele me levava para visitar a família dele, do lado mexicano da fronteira, todo fim de semana", lembra o ator. "O interessante é que quando eu estava dirigindo, a polícia nos deixava passar sem problemas. Mas quando Cedillo estava ao volante, éramos parados na fronteira, revistados e interrogados.”

O ator também lembra que, no lado mexicano, ficou espantado com a pobreza, mas ao mesmo tempo com a rica cultura e o amor da família de Cedillo. "Foi uma jornada que abriu meus olhos", conta.

"Lugar grande"

Apesar das observações do ator, para Tommy Lee Jones a fronteira entre Estados Unidos e México não é um lugar cruel.

“É um lugar muito grande, e existe desentendimento e preconceito dos dois lados. Tentamos mostrar no filme que isso não é bom”, disse o diretor.

“Se alguém perguntar para muitas pessoas que moram na região como elas descreveriam a fronteira, estas pessoas responderiam: 'Que fronteira? É apenas um rio com a mesma cultura dos dois lados'”.

Segundo Lee Jones, o governo americano, às vezes, não enxerga os problemas humanos que todos sabem que existem na região.

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