|
Cannes vê filme de israelense rodado em país árabe | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O cineasta Amos Gitai apresentou nesta quinta-feira em Cannes o seu novo filme, Free Zone - o primeiro longa dirigido por um israelense a ser rodado em um país árabe. Gitai disse que a experiência de levar em frente esta produção inédita foi comovente, apesar de, no início, haver uma “certa desconfiança entre as equipes”. “Mas depois as pessoas se integraram”, diz Gitai, cujo filme está concorrendo à Palma de Ouro no Festival de Cannes. Free Zone conta a história de três mulheres: a jovem americana Rebecca, filha de pai judeu, interpretada por Natalie Portman; uma motorista de táxi de Israel, interpretada pela israelense Hanna Laslo; e uma mulher palestina, Leila, interpretada por Hiam Abbass, que é palestina. Rebecca convence a motorista israelense a levá-la até a Zona Livre, uma espécie de zona franca no leste da Jordânia, aonde árabes, egípcios, israelenses e jordanianos vão para negociar livremente. As duas precisam chegar a esta área para recuperar o dinheiro de uma dívida. Gitai já concorreu em Cannes anteriormente, e sua filmografia é marcada pelos temas políticos do Oriente Médio. Incidente Em um certo momento da filmagem, Free Zone foi cercado pelos rumores de que rabinos israelenses haviam condenado o cineasta por filmar uma cena em que a atriz Natalie Portman beija um homem tendo o Muro das Lamentações, em Jerusalém, como cenário. Os rumores foram desmentidos por Gitai. “Nunca houve uma cena íntima. Um clérigo estava no local e nos disse que não devíamos filmar lá (no Muro das Lamentações)”, disse. Gitai disse que Natalie Portman lhe escreveu declarando seu interesse no projeto. “Ela me disse que tinha interesse na busca pela identidade de uma pessoa e sempre quis ver o país de seus pais (que são judeus)”, disse Gitai. Vida difícil A atriz israelense Hanna Laslo já havia trabalhado com Amos Gitai no filme Alila, há dois anos, e acredita que o cineasta já tinha seu nome em mente quando escreveu o roteiro. “O nome da personagem também é Hanna. Ele (Gitai) me permitiu colocar muito da minha pessoa na personagem. Havia um script, mas ele me permitiu fazer isso. Muitas coisas que Hanna representa têm a ver comigo.” “Sou filha de sobreviventes do Holocausto, cresci em Israel, amo meu país. Eu quero a paz, mas algumas coisas são difíceis para nós, temos que sobreviver, temos uma vida difícil lá.” Em uma cena, o diretor pediu que as atrizes israelense e palestina brigassem, cada uma falando seu idioma. Com seu filme, Gitai afirma que tentou mostrar que as pessoas comuns do Oriente Médio já não agüentam mais as medidas tomadas de cima para baixo, que afetam as vidas de todos os moradores. “Nós tivemos paciência, mas agora é o povo que precisa decidir o caminho para conseguir a paz no Oriente Médio”, afirmou. “O filme sugere a criação de uma ponte para sociedades coexistirem. O Oriente Médio precisa encontrar, no dia-a-dia, algo que possa unir as pessoas.” |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||