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Torcida por Blair uniu democratas e republicanos nos EUA | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
No seu primeiro encontro com Tony Blair, em fevereiro de 2001, em Camp David, George W. Bush fez uma piada que se tornou clássica. Questionado se ele e o primeiro-ministro britânico tinham interesses comuns, o presidente americano respondeu que ambos usavam pasta de dente Colgate. Muito mais, é evidente, brilha neste relacionamento transatlântico. Blair sempre deixou claro que seria o mais forte aliado político e militar de Bush, aprofundando a chamada “relação especial” entre os dois países. Assim, ele transferiu sua íntima parceria com o democrata Bill Clinton (com o qual tinha tantas afinidades ideológicas) para o presidente republicano. O primeiro e não partidário conselho de Clinton a Blair depois que a Corte Suprema decidiu a polêmica eleição do ano 2000 foi para que o dirigente britânico se tornasse o "melhor amigo" do novo governante americano. Dito e feito. Embora para muitos que se desencantaram, Blair consumou uma amizade canina. O novo trabalhismo de Blair nunca incomodou os neoconservadores americanos. Basta ver o tratamento dispensado pela cáustica página editorial do Wall Street Journal, que na véspera da eleição de quinta-feira disse que na guerra do Iraque e em outros eventos mundiais, Blair se mostrou como um homem de "princípios". Outro sobrevivente E foi no Iraque que Blair sempre teve tanto em comum com Bush: na causa e na controvérsia. No entanto, assim como o americano reeleito em novembro passado, o britânico sobreviveu ao tiroteio político de que teria levado o seu país à guerra sob o falso pretexto das armas de destruição em massa de Saddam Hussein. É verdade que, mesmo reeleito, Blair pagou um preço maior do que Bush pelos eventos no Iraque. A imprensa e analistas americanos, no entanto, sempre tomaram nota de que Blair fora mais consistente e sistemático do que Bush para apregoar a causa justa de derrubada de um tirano. A imagem do primeiro-ministro britânico há um par de anos é mais positiva nos Estados Unidos do que dentro de casa. Agora na campanha eleitoral britânica, Bush nunca escondeu que desejava a vitória de Blair, mas por razões protocolares não pôde dar o apoio escancarado como foi o caso de Bill Clinton, confirmando que a torcida pela reeleição era bipartidária. A Casa Branca nunca perdeu uma oportunidade para elogiar o primeiro-ministro britânico, assim como ocorreu na campanha de reeleição do conservador australiano John Howard, outro aliado quase que incondicional de Bush. As afinidades entre Bush e Blair (na geopolitica, na fé religiosa e na pasta de dente) terão agora vida mais longa. Com o primeiro-ministro britânico no terceiro mandato, fica mais sólida a pressão para que Bush se engaje ativamente no processo de paz entre Israel e os palestinos. É uma causa mais direta de Blair, a qual, em parte, Bush aderiu para provar que também faz concessões na relação especial entre a superpotência americana e sua ex-metrópole. |
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