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Atualizado às: 30 de abril, 2005 - 15h58 GMT (12h58 Brasília)
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Testemunho: Repórter da BBC Brasil presenciou atentado no Cairo

Corpo de um homem morto no atentado perto do Museu Egípcio
Corpo de um homem morto no atentado perto do Museu Egípcio
Em outras partes do mundo, o tipo de barulho e de fumaça saindo debaixo da ponte sobre a qual eu passava me fariam pensar imediatamente num motor de carro velho explodindo. Mas com o clima político esquentando aqui no Cairo, um atentado a bomba é a primeira coisa que passa pela cabeça.

Logo no fim da ponte, desci do táxi e voltei, para confirmar a hipótese de atentado e ver o corpo de uma pessoa no chão, já coberto por jornais, a poucos metros do Museu Egípcio, um dos pontos mais conhecidos e freqüentados por turistas no Cairo.

Pouco depois aconteceu em outra área do Cairo - perto da conhecida atração turística da Cidadela - um ataque a tiros contra um ônibus de turistas, que teria sido praticado por duas mulheres, segundo informações do ministério do Interior.

Testemunhas no local disseram de que a bomba perto do Museu Egípcio foi atirada de cima de um viaduto, mas entre os policiais que falavam informalmente com jornalistas as versões eram desencontradas, com alguns confirmando a versão das testemunhas e outros afirmando tratar-se de um atentado suicida.

Procurado

Mais tarde, o ministério do Interior emitiu uma declaração afirmando que um homem perseguido pela polícia por supostas ligações com outro atentado, ocorrido há algumas semanas, se atirou do viaduto quando estava prestes a ser capturado e detonou explosivos que carregava.

Pelo menos um egípcio morreu e quatro turistas estrangeiros ficaram feridos, segundo informações do Ministério da Saúde.

"Eu estava indo para a estação de trem quando uma bomba foi atirada do viaduto. Eu vi o corpo de uma pessoa no chão e um estrangeiro e a mulher dele feridos. Aqui está o sangue (dos feridos)", disse um homem mostrando uma sacola plástica manchada de vermelho.

Depois de falar com a imprensa, o homem, aparentemente ainda em choque, começou a gritar a palavra árabe "haram", um termo muito importante por aqui que combina os conceitos de proibido e pecado. "Que Deus nos vingue desse homem (que explodiu a bomba)", ele disse.

Um outro homem começou a gritar “Não ao terrorismo, não a Israel, não aos Estados Unidos.” Em poucos minutos, outras dezenas de pessoas se juntaram a ele para gritar as mesmas palavras de ordem.

Manifestações

Centenas de curiosos se aglomeraram ao redor do local da explosão, forçando a polícia a abrir caminho para as ambulências que vinham buscar os feridos.

A imprensa – principalmente árabe - também chegou rapidamente à área.

Depois de muitos anos de relativa calmaria no Cairo – o último atentado na cidade havia ocorrido em 1997 – aumenta o medo agora de uma nova onda de violência, que tende a mirar principalmente nos turistas estrangeiros.

Há cerca de três semanas, um ataque a bomba perto do famoso mercado de Khan el-Khalili deixou quatro pessoas mortas.

Manifestações contra o governo do presidente Mubarak e contra as leis de emergência em vigor no país têm acontecido com alguma freqüência nos últimos dias.

Os protestos são em geral promovidos pelos grupo de oposição religioso Irmandade Islâmica ou pelos ativistas do movimento secular Kyfaia (Basta, em árabe).

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