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Atualizado às: 29 de abril, 2005 - 17h39 GMT (14h39 Brasília)
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Lula rejeita conflito e defende paz entre Venezuela e EUA

O presidente Lula, em sua primeira entrevista coletiva
Presidente diz que Brasil quer contribuir para harmonia na região
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, em sua primeira entrevista coletiva oficial no Palácio do Planalto, que não vê nenhuma possibilidade de um conflito maior entre Estados Unidos e Venezuela.

“Penso que nós estamos andando a passos largos para que haja uma grande harmonia entre Estados Unidos e Venezuela, até porque nós do Brasil temos todo interesse em que no nosso continente haja a maior tranqüilidade”, disse Lula.

“A Venezuela precisa dos Estados Unidos, os Estados Unidos precisam da Venezuela. Portanto, não há nenhuma razão para os dois estarem brigando”, acrescentou o presidente. “Precisamos de paz para que a gente possa pensar no desenvolvimento dos nossos países.”

Lula disse ainda que, depois do encontro da última terça-feira com a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, ficou convencido de que a conturbada relação entre os dois países vai melhorar.

O presidente também revelou ter sugerido à secretária americana que os Estados Unidos cooperem com o Brasil e outros países sul-americanos na criação da infra-estrutura necessária para consolidar a integração física do continente.

ONU

Durante a coletiva desta sexta-feira, Lula também voltou a defender a campanha do Brasil por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

De acordo com o presidente, o Brasil defende a democratização das Nações Unidas, sobretudo do Conselho de Segurança, e a participação de representações por continente.

“O Brasil reivindica para si essa vaga por ser o maior país da América do Sul e da América Latina”, disse. “Nós temos o direito de reivindicar e estamos reivindicando.”

Lula afirmou que é preciso garantir que haja uma reforma na ONU e, a partir de então, defender a participação do Brasil. Apesar de dizer que não pode “prever o futuro”, o presidente revelou que espera uma mudança positiva ainda em 2005.

“Eu acho que se a reforma sair, o Brasil entrará (no Conselho de Segurança), e estamos trabalhando para que seja neste ano”, declarou.

“Se não for neste ano, que seja no ano que vem. Agora, se não for no meu mandato, que seja no tempo que for, mas é importante que o Brasil participe.”

Unha e carne

Ao comentar a política econômica do governo, Lula elogiou a atuação do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e disse que confia nas mudanças realizadas pelo ministro em sua equipe econômica.

“Tenho pelo companheiro Palocci o mais profundo respeito. Tenho uma ligação política, ideológica, tenho uma ligação de quase 30 anos com o Palocci”, comentou o presidente.

“Eu poderia dizer que eu e o Palocci somos unha e carne”, acrescentou Lula. “Ou seja, tenho a total confiança nas coisas que o Palocci faz.”

Um dos temas mais citados durante a coletiva foi a política de juros do governo, que tem sido criticada tanto pela oposição como por aliados de Lula.

Questionado sobre os erros cometidos pelo governo, o presidente despertou risos na platéia de jornalistas ao dizer que “é difícil reconhecer o erro em um governo que acerta tanto”.

Em seguida, no entanto, Lula admitiu: “Acho que pode ter sido um erro nosso a gente não ter feito com que os juros não sejam o único padrão de controle da inflação”.

Autonomia do BC

Por diversas vezes durante a coletiva, o presidente disse estar convencido de que os juros não podem ser o único instrumento para controlar a inflação.

De acordo com Lula, o governo tem procurado outras alternativas como a injeção de dinheiro no mercado por meio dos programas de crédito consignado e microcrédito.

Ao falar sobre o assunto, no entanto, o presidente resolveu apelar para uma citação que atribuiu ao falecido deputado Ulisses Guimarães.

“Nem tudo o que você pode fazer na economia você pode avisar antes porque, se avisar, não faz”, disse o presidente.

Lula disse ainda que a utilização da taxa de juros para controlar a inflação sobrecarrega a pressão sobre o Banco Central e desvia a responsabilidade que também deve ser do governo e da sociedade.

“O objetivo básico, além de garantir que haja crescimento da economia, é garantir que a inflação não volte. Na hora que a inflação começar a crescer, se ela chegar a dois dígitos, a experiência do Brasil já mostra: ninguém segura”, comentou.

O presidente também afirmou que, antes de tomar uma decisão sobre a proposta de autonomia do Banco Central, citada pelo jornalista que fez a pergunta como um “sonho de Palocci”, é preciso esperar a evolução do debate sobre o assunto no Congresso Nacional.

“Posso garantir que o Palocci não me conta todos os sonhos dele, certamente alguns ele guarda para ele e não me conta”, brincou Lula. “O Banco Central tem muita autonomia no meu governo.”

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