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A GM geme | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quem aprendeu a dirigir num Studebaker 48 e cometeu todas imprudências possíveis entre Belo Horizonte e Ouro Preto, só pode ter uma dívida de gratidão com a indústria americana de automóveis. O Possante, como era conhecido o carro do meu querido velho, jamais nos deixava na mão. Hoje eu me lembro mais das emoções do banco de trás do que ao volante mas o Studebaker morreu há muitos anos, preciso de um carro novo e fujo dos americanos. Estão levando outra surra dos japoneses, em particular da Toyota e Honda. Somados, os lucros da GM, Ford e Chrysler não chegam a metade do lucro da Toyota ano passado. Para vender seus carros os americanos oferecem descontos e financiamentos baratíssimos mas suas revendedoras estão vazias e há fila de espera para comprar carros japoneses, em especial os híbridos, mais econômicos, que funcionam com gasolina e bateria. A GM, maior fabricante de carros do mundo, não tem nenhum modelo híbrido. Os americanos continuaram apostando em jeeps cada vez maiores e menos econômicos que deram lucros fabulosos na década de 90. Hoje o preço da gasolina, a falta de originalidade dos modelos novos e a construção inferior desanimam os compradores, mas a principal crise da GM não tem nada a ver com carros. A GM está no sufoco porque paga planos de saúde e aposentadorias de 1,1 milhão pessoas mas pouco mais de 200 mil são empregados ativos. A grande maioria é aposentada e 87 mil estão acima acima de 80 anos, uma faixa de custo hospitalar caro – 240 aposentados têm mais de cem anos, são mais velhos do que a própria empresa que tem 97. Nos próximos anos a GM vai gastar mais em aposentados e planos de saúde do que em aço para fabricar carros enquanto os japoneses têm gastos mínimos com saúde e a aposentadoria é por conta do governo. A GM geme. |
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