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Paz sem descanso | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Terri Schiavo é uma tragédia pessoal que se tansformou em uma briga de familia, dividiu a Flórida, repicou pelos tribunais estaduais e federais, mexeu com o país e envolveu o Congresso, a Casa Branca e até o Vaticano. A opinião pública foi clara. Num choque para os políticos conservadores e a direita cristã, entre 60% e 70% dos americanos foram a favor da remoção dos tubos e contra a politização do problema. Os tubos não vão voltar, mas é impossível desligar os políticos desta questão. A inevitável morte de Terri Schiavo já ressuscitou o debate em várias legislaturas estaduais e no próprio Congresso sobre quem decide quando termina a vida. Leis Hoje só três Estados – Texas, Virginia e Califórnia – têm leis que permitem que os médicos suspendam o tratamento de um doente contra vontade da família. A lei do Texas, assinada pelo então governador George W. Bush em 1999, é a mais clara delas. Ela permite que os médicos desliguem os tubos desde que haja aprovação de uma comissão de ética. Depois da decisão da comissão, a família ainda tem dez dias para procurar um hospital disposto a manter o paciente vivo. O Vaticano se manifestou a favor da manutenção dos tubos que sustentavam Terri, embora o próprio papa João Paulo 2º, em 1998, tenha dito em Viena que a Igreja é contra recursos extraordinários para prolongar a vida. Na mesma pregação, o papa foi contra apressar a morte desligando a tomada. Ou seja, ele não ofereceu uma solução clara e neste momento deve estar refletindo sobre a extensão da sua própria existência. A morte de Terri Schiavo tão cedo não dará descanso aos vivos. |
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