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Direito de Morrer | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Terri Schiavo, com aquele sorriso e olhar indecifráveis, perturba os americanos. Os republicanos querem os tubos de volta. Os democratas tiraram o corpo fora. A opinião pública, numa proporção de 63% a 28%, é a favor da retirada dos tubos. Qual é pior? Quem corre o risco de uma iniciativa antipopular ou quem não faz nada? Ou será que os americanos vão concluir que Terri está sendo usada pelos republicanos para desmoralizar e firmar o controle sobre o sistema judiciário? Os republicanos têm maioria no senado, mas não é suficiente para aprovar indicações de juízes ultra-conservadores. Graças a um recurso legislativo chamado "filibuster", que protege o partido minoritário e que tem apoio dos republicanos moderados, vários juízes considerados radicais já foram bloqueados. Os conservadores calculam que a omissão democrata no caso de Terri vai atrair suficientes votos entre republicanos moderados para destruir o "filibuster" nas indicações de juízes. Dramas como o de Terri sempre têm conseqüências imprevisíveis. Em 75, a jovem Karen Ann Quinlan, misturou álcool com calmantes e entrou em estado vegetativo, como Terri. Naquela época, não havia interesses políticos em jogo. A família era a favor da remoção dos tubos e ninguém contestou a decisão do tribunal de Nova Jersey. Retiraram os tubos, mas não suspenderam a alimentação nem a água, e Karen viveu por mais dez anos. Ela foi uma das causas da aprovação do Ato de Auto-Deteminação do Paciente. O ato estabelece que o doente possa deixar instruções específicas para os médicos caso entre em coma. E foi por causa de Karen que a lei foi mudada para permitir também a suspensão de água e alimento. Terri, morta ou viva, é uma assombração na política americana. |
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