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Assimetria dificulta negócios entre Brasil e África, diz Furlan | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Luiz Fernando Furlan, disse nesta quinta-feira em Paris que a assimetria em termos de desenvolvimento dos países africanos dificulta a realização de negócios com o Brasil. "Com a África do Sul, por exemplo, que está em um estágio similiar ao do Brasil não há grandes dificuldades. Mas há países que têm estágios de desenvolvimento e dependência da economia estatal muito relevante, como os países que têm petróleo", afirmou o ministro Furlan à BBC Brasil. O Brasil é um grande importador de petróleo da Argélia e da Nigéria, país que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou na última terça-feira. "Isso significa que as empresas privadas devem se preparar para fazer negócios com governos", disse o ministro. Furlan participou em Paris do Fórum Econômico França-Brasil, evento realizado no contexto do Ano do Brasil na França e que contou com a presença de centenas de empresários brasileiros e franceses. "Aprendizado" Durante a visita do presidente Lula à Nigéria, na terça-feira, Furlan demonstrou sinais de insatisfação com reuniões consideradas pouco produtivas. A visita ao país era considerada a etapa mais importante da turnê de Lula pela África em razão do forte déficit comercial brasileiro com os nigerianos, de US$ 5 bilhões. "Passamos por um aprendizado com a África. Como historicamente Brasil e África estiveram muito distantes nos negócios, neste aprendizado acontecem algum ajustes. Foi o que ocorreu na Nigéria, na reunião da manhã", afirmou o ministro. "Mas à noite, durante o jantar, foi possível ter um diálogo fluido com as autoridades nigerianas e elaborar uma agenda positiva para os próximos meses." Furlan chegou a se queixar das dificuldades em negociar com a Nigéria durante a visita, levando a imprensa a questionar a utilidade da visita. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, no entanto, rebateu as críticas, alegando, por exemplo, "o encontro entre o maior país da América Latina com o presidente do maior país da África é muito importante". Viagem no segundo semestre O ministério do Desenvolvimento vai liderar uma missão empresarial à África no segundo semestre deste ano. A Nigéria será um dos países visitados – os demais países ainda não foram escolhidos. Furlan afirmou que a assimetria em termos de desenvolvimento econômico, democracia e liberdade de imprensa dos países africanos "leva cada um dos lados a procurar entender melhor seu interlocutor". Segundo o ministro, existe a proposta de se criar uma comissão conjunta que analise as oportunidades bilaterais e possa, ao mesmo tempo, realizar uma parte do comércio entre o Brasil e países africanos no chamado sistema "barter" (comércio de bens e serviços sem a utilização de dinheiro). Isso poderia, diz Furlan, dar maiores garantias aos exportadores brasileiros, já que o Brasil é um grande importador de petróleo da Argélia e da Nigéria. O petróleo poderia ser uma garantia ao pagamento das vendas brasileiras. As exportações deverão atingir US$ 112 bilhões em 2005. Até a semana passada, o resultado acumulado em 12 meses atingiu US$ 102,5 bilhões, disse o ministro. Em Paris, o ministro Furlan afirmou durante o Fórum Econômico que o Brasil deseja melhorar sua imagem no exterior e mostrar que não é apenas uma país "de carnaval e futebol". Mas também um pólo de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Após visitar a loja de departamentos parisiense Printemps, que realiza uma operação comercial com marcas brasileiras de moda, cosméticos e design, Furlan esteve em Fontainebleau, nos arredores de Paris, onde visitou uma importante escola de administração. Furlan retorna na noite desta quinta-feira ao Brasil. |
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