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Governo minimiza corrupção na África de olho na ONU e na OMC | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terminar na quinta-feira sua visita oficial a cinco países da África Ocidental (Camarões, Nigéria, Gana, Guiné-Bissau e Senegal), ele terá passado, desde o início de seu mandato, por 14 nações no continente. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, diz que esta nova viagem cumpre a disposição "apresentada pelo presidente desde seu discurso de posse" de fazer da África uma prioridade da política externa brasileira. As possibilidades de negócios são limitadas pelas dificuldades econômicas e políticas enfrentadas pela maioria das nações africanas, mas Amorim diz que há importantes áreas de cooperação que podem ser promovidas, como na agricultura, na saúde e na educação. Há também o objetivo político de promover uma maior união entre os países em desenvolvimento, incluindo aí medidas objetivas, como o pleito por assentos permanentes no Conselho de Segurança da ONU e a luta contra os subsídios agrícolas na Organização Mundial do Comércio. "Não podemos ser observadores passivos de decisões que afetam nosso destino. O comércio internacional pode ser um caminho para erradicar a fome e a pobreza. E, juntos, temos de lutar contra os subsídios e outras medidas protecionistas praticadas pelos países ricos", disse Lula num jantar oferecido no domingo pelo presidente de Camarões, Paul Biya. Negócios Mas, mesmo com as dificuldades, o ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, disse que a viagem pela África Ocidental pode levar a negócios de mais de US$ 1 bilhão. "Podemos fazer negócios com equipamentos e aviões, e cooperação na área agrícola, por exemplo", disse o ministro ao chegar a Iaundê, capital de Camarões. Muitos países africanos são conhecidos por problemas de instabilidade política, falta de democracia e corrupção. O ministro Furlan diz que isso não deve impedir o Brasil de fazer negócios. "No comércio temos que seguir regras, mas precisamos de uma posição pragmática. Hipocrisia (em relação aos problemas políticos e de corrupção) só vai permitir que outros ocupem este espaço", disse. "Nada do que possa aumentar a produção e o emprego no Brasil deve ser menosprezado." Entre os programas que serão anunciados na África está a doação de US$ 500 mil para a reestruturação das Forças Armadas em Guiné-Bissau, país cuja língua oficial é o português e que está se esforçando para se recuperar de um período de séria instabilidade política. "Isso não significa que vamos dar armas para Guiné-Bissau. Essa ajuda é apenas para que possa haver uma reestruturação mínima das Forças Armadas, que ajude na estabilização do país", disse o ministro Celso Amorim. Nigéria Entre os países que serão visitados pelo presidente, a Nigéria é o que mais oferece potencial para negócios com o Brasil, por ser o país mais populoso e de economia mais forte da África Ocidental. Atualmente, o país já é o que tem relações econômicas mais fortes com o Brasil por conta do pretróleo que produz. O Brasil importa cerca de US$ 4 bilhões por ano em petróleo nigeriano. A Nigéria é classificada no ranking da ONG Transparência Internacional como o segundo país mais corrupto do mundo, atrás apenas do Haiti. Dificilmente empresários falam abertamente sobre problemas de corrupção nos países com os quais têm negócios, mas comentários de bastidores dão conta de que a Nigéria é um dos lugares onde é quase impossível conseguir fechar um grande contrato sem algum tipo de propina. "O governo brasileiro não se envolve diretamente em nenhum negócio. Nossa função é incentivar as exportações, e cada empresa vê o que tem de fazer para atuar nos países onde tem interesse", disse o ministro Furlan. Pagamento Uma preocupação histórica de empresas estrangeiras que trabalham na África é também quanto ao risco de os contratos acabarem não sendo pagos por conta de problemas econômicos e políticos nos países clientes. O problema está sendo minimizado, no entanto, pela grande participação de instituições financeiras multilaterais nas obras do continente. "O calote era um problema muito sério no passado, mas atualmente todas as grandes obras na África são pagas por fundos de desenvolvimento do Oriente Médio ou da própria África", explica o diretor de relações institucionais da construtora Andrade Gutierrez, Flávio Machado Filho. A Andrade Gutierrez é atualmente a única empresa brasileira trabalhando em Camarões, onde a empreiteira toca um projeto, de US$ 25 milhões, de construção de uma estrada. "Vamos também iniciar em breve uma operação na Mauritânia e estamos desenvolvendo um novo projeto na Argélia", diz Machado. Mas também há questões práticas que dificultam o trabalho de empresas brasileiras no continente africano. Denilson Paiva Leite, diretor da Andrade Gutierrez em Camarões, que há 13 anos trabalha com projetos na África, diz que alguns dos maiores problemas são o idioma, o clima e as dificuldades logísticas. "Mas como também temos um clima semelhante e as mesmas dificuldades de transporte em algumas regiões do Brasil, nossa empresa já tem alguma prática em lidar com isso", diz. |
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