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Lula busca em Gana contato político para a África | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Em sua visita a Gana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a ligação cultural entre o país e o Brasil. Apesar de Gana ter uma economia pequena e as potenciais trocas comerciais com o Brasil serem limitadas, o país é estável para padrões africanos e pode ser um importante contato político para o Brasil no continente africano. Lula disse que a presença de muita gente desta região no Brasil - levados escravos durante séculos - foi essencial para a miscigenação que resultou "na alegria do povo brasileiro". "O Brasil é o país com a segunda maior população africana do mundo, depois apenas da Nigéria. Se não fosse por essa presença africana, talvez não tivéssemos o samba nas veias", disse o presidente. "Também devemos a Gana outra tradição que respeitamos no Brasil todas as quartas e sábados: a feijoada". Acordos Os dois governos assinaram um memorando para a realização regular de consultas políticas e um acordo permitindo a abertura de uma linha aérea entre os dois países, o que ainda depende de interesse de alguma empresa privada. O presidente foi recebido no aeroporto com uma cerimônia local na qual despeja-se bebida alcoólica no chão para agradar aos deuses, apaziguar demônios e pedir proteção ao visitante. Depois da recepção no aeroporto, na qual também estava presente o presidente de Gana, John Kufuor, Lula foi ao palácio do governo, onde os dois líderes fizeram discursos e as delegações fizeram reuniões de trabalho. O presidente Kufuor disse que Gana reconhece o Brasil como uma importante liderança dos países em desenvolvimento. "Gana foi o primeiro país independente da África (Subsaariana) e é também uma importante liderança no continente. O estreitamento de relações entre nossos países, com a primeira visita de um presidente brasileiro, é algo muito importante", disse Kufuor. O governo de Gana também expressou o desejo de um maior equilíbrio na balança comercial entre os dois países. No ano passado, o Brasil exportou US$ 120 milhões para Gana, mas importou apenas US$ 500 mil. 'Tabom' Depois da cerimônia no palácio, o presidente foi à embaixada brasileira onde se encontrou com o rei da comunidade ''Tabom'', um grupo descendente de ex-escravos africanos que voltaram do Brasil para a África na primeira metade do século 19, Nii Azumah 5º. O nome "Tabom" vem do cumprimento que estes ex-escravos, que à época só falavam português usavam quando chegaram à África. Na recepção, um grupo de ganenses apresentou ao presidente músicas e cantos acompanhadas por tambores muito semelhantes aos ouvidos nos rituais religiosos afro-brasileiros. "Estamos muito felizes com esta visita do presidente Lula e temos orgulho de podermos nos considerar brasileiros plenos", disse Azumah. O Brasil vai doar recursos para a reforma da Casa do Brasil, que é a sede da comunidade "Tabom" em Acra. |
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