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Família africana enfrenta a Aids com remédios caseiros

Katite, soropositiva em Joanesburgo
Katite não teve acesso a medicamentos antiretrovirais
Katite abre o portão sorridente, mas a simpatia não esconde o abatimento.

Ela convida as agentes voluntárias de saúde a entrar na casa simples, mas bem cuidada, no subúrbio de Tsakane, mais de uma hora distante de Johanesburgo, na África do Sul.

Desta vez, as visitantes vieram cuidar do filho de Katite, Colin. O rapaz tem 27 anos e, na opinião de Anna McDonalds, uma das agentes, morrerá antes de três meses se não for tratado.

De cama, com febre e se sentindo muito fraco, Colin, que se recupera de uma tuberculose, diz que tem esperança, mas mal consegue se mexer.

Há dois anos, a irmã mais velha dele morreu em decorrência da Aids.

Sentença de morte

No ano passado, foi a vez do pai dele sucumbir, aos 50 anos.

Katite e Colin estão contaminados com o HIV e até agora não tiveram acesso aos remédios anti-retrovirais.

No Brasil, o acesso universal a esse tipo de medicamento fez a Aids ser considerada uma doença crônica para a maioria dos pacientes, desde que seja feito um acompanhamento médico rigoroso.

Na África do Sul, ela ainda é uma sentença de morte para as famílias mais pobres.

Profissão reconhecida

Nos postos de saúde, os pacientes conseguem remédios para as doenças oportunistas.

Mas a distribuição dos medicamentos ant-iretrovirais, que melhoram o sistema imunológico e reduzem a carga viral, tem uma fila de espera que costuma levar meses nas grandes cidades e que não inclui muitos pacientes dos rincões do país, que morrem sem assistência.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a África do Sul tem mais de 5 milhões de soropositivos.

A organização não-governamental TAC (Campanha de Ações para Tratamento, na sigla em inglês) diz que, no ano passado, a meta do governo era tratar pouco mais de 50 mil pacientes com anti-retrovirais, mas menos de 20 mil pessoas tiveram acesso a esses medicamentos.

Margaret Radistela
A curandeira Margaret dá remédios à base de ervas para soropositivos

Uma das agentes que visita Colin, Margaret Raditsela, também é uma curandeira tradicional. A profissão foi recentemente regulamentada pelo governo da África do Sul.

Ocidentais

Ela oferece ao rapaz uma garrafa de dois litros com um medicamento à base de ervas e raízes preparado com as receitas que ela diz receber dos espíritos de ancentrais durante rituais religiosos.

Depois de tentar, sem sucesso, tratar o próprio filho com o remédio caseiro, ela já está quase convencida de que as ervas que prepara não eliminam o vírus HIV do corpo.

Apesar disso, segundo Margaret Raditsela, as ervas conseguem “limpar o sangue” e fortalecer o organismo dos doentes.

Ela acredita que só o remédio que fabrica já é suficiente para provocar uma melhora significativa.

Mas, depois de fazer cursos sobre o HIV e a Aids patrocinados pelo governo, a curandeira recomenda que os pacientes procurem também médicos que ela chama de “ocidentais”.

Poção

Entre a população negra da África do Sul, existe uma crença arraigada de que os remédios oferecidos pelos curandeiros são eficazes.

Remédios caseiros
Poções à base de ervas são usadas para 'aliviar' HIV/Aids na África do Sul

Rosana Del Bianco, médica brasileira que já treinou agentes de saúde africanos, diz que o curandeirismo é uma das barreiras para que pacientes procurem tratamento convencional.

Raditsela reconhece que muitos colegas seus ainda dizem que são capazes de curar a Aids e chegam a fazer anúncios em emissoras de rádio oferecendo remédios milagrosos.

Ela não está totalmente convencida de que não se pode curar a Aids com remédios caseiros. Mas admite que, por enquanto, não encontrou uma poção que elimine o vírus do organismo.

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