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Livro 'disseca' poder de assessores de Bush | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A poeira está assentada em Washington (embora não em Bagdá) e Condoleezza Rice está mais do que prestigiada à frente de uma "diplomacia muscular" no segundo mandato do presidente George W. Bush. Donald Rumsfeld deverá continuar no comando do Pentágono por um período indeterminado, mas provavelmente saindo a médio prazo. A expectativa no capítulo 2 da saga Bush é de menos rivalidades e das brigas de ego que marcaram o anterior e que tiveram Rumsfeld e o ex-secretário de Estado Colin Powell como atores principiais. É o momento adequado para um exame de como a política de segurança nacional americana chegou a este estágio. Num livro que será lançado em maio, David Rothkopf (um veterano da administração Clinton) deverá dissecar o caráter interno da equipe de segurança nacional do governo Bush. Poder inédito Um aperitivo é o seu artigo na edição corrente da revista Foreign Policy. Ao estilo de Bob Woodward, o autor trafega pelos bastidores do poder, com um acesso invejável a fontes, especialmente aquelas ressentidas com os rumos da política externa americana. Rothkopf ressalta que "comitê" que comanda a política de segurança nacional é provavelmente o mais poderoso na história, com seus recursos e liberdade para atuar. Ao mesmo tempo, o seu braço político (o Partido Republicano) está em uma situação de poder sem precedentes em quase oito décadas, com o seu controle da Casa Branca e do Congresso, obtido em duas eleições consecutivas. O monopólio político, no entanto, não impediu um debate cortante entre as elites tradicionais do Partido Republicano em questões de segurança nacional e as correntes neoconservadoras impulsionadas após os atentados do 11 de setembro. Rothkopf refere-se a um "amargo debate filosófico" que colocou setores liderados pelo ex-assessor de segurança nacional do primeiro presidente Bush, Brent Scowcroft, contra a equipe que chegou ao poder em 2001. Alguns rótulos ilustram as rivalidades: internacionalistas X unilateralistas; pragmáticos X neoconservadores e realistas X idealistas. De um lado, aqueles que observaram o fim da Guerra Fria. Do outro, aqueles que observam o começo da chamada guerra contra o terror. Protegida de Scowcroft nos anos 90, Condoleezza Rice se insurgiu contra o seu mentor depois que se tornou assessora de segurança nacional no primeiro mandato de Bush. Scowcroft, que expressou ceticismo sobre a condução da guerra do Iraque, foi banido do círculo de "consiglieres" da atual Casa Branca. Forças moderadoras Rothkopf afirma que com a partida de Colin Powell, criou-se a sensação que o poder dos neoconservadores está consolidado. Mas ele acrescenta que algumas forças moderadoras ainda têm espaço em Washington e espera que Condoleezza Rice seja parcialmente manejada pela estrutura burocrática do Departamento de Estado. Basta ver que alguns dos seus principais assessores pertencem a escola tradicionalista, preocupados em consertar as relações transatlânticas. Ademais, com o desengajamento gradual americano no Iraque – e caso não ocorram grandes ataques terroristas – a tendência será pela "desmilitarização" da política externa americana, com mais poder para o Departamento de Estado e menos influência para o Pentágono. Muitas causas do governo Bush serão travadas através de uma diplomacia beligerante, com a liderança muscular de Condoleezza Rice. |
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