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Atualizado às: 16 de março, 2005 - 13h02 GMT (10h02 Brasília)
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Relação EUA-Venezuela azeda, mas ainda não é intragável

presidente Hugo Chávez
Bush vê Chávez de forma diferente dos demais governos latino-americanos
A troca de insultos e advertências entre EUA e Venezuela tem sido tão bombástica que soa mais folclórica do que ameaçadora, mas não há dúvidas de que o segundo mandato de George W. Bush já está sendo marcado por um preocupante azedume nas relações com o governo de Hugo Chávez.

O antagonismo não é novidade. A Venezuela é uma exceção na postura de negligência benigna pela qual tem se pautado Washington no hemisfério desde os atentados de 11 de setembro de 2001.

Nem a onda de vitórias eleitorais de políticos esquerdistas causou maiores sobressaltos na Casa Branca.

O pragmatismo econômico de Luiz Inácio Lula da Silva e companheiros latino-americanos ajuda a contrabalançar as divergências comerciais e uma retórica antiBush.

Chávez é diferente, com o seu populismo especialmente vociferante e barris de petróleo, que lhe conferem a posição de quinto exportador mundial. O governo Bush também dá mostras de mais virulência.

Equipamento militar

Sem dar maiores detalhes sobre o que será feito, o encarregado de questões hemisféricas no Pentágono, Roger Pardo-Maurer, disse esta semana ao jornal Financial Times que os EUA estão criando uma "política de contenção" de Chávez em reação à sua alegada campanha de desestabilização na região.

Washington se preocupa em particular com a compra de equipamento militar russo e sugere que parte dele pode acabar em mãos de guerrilheiros esquerdistas colombianos.

Há também os planos de compra de aviões Tucanos do Brasil. De sua parte, o governo venezuelano denuncia planos de uma invasão norte-americana e, ao melhor estilo Fidel Castro, Chávez acusa Bush de planejar o assassinato dele.

De fato, houve uma escalada de advertências americanas desde o começo do ano.

Na sua sabatina de confirmação no Senado, a secretária de Estado Condoleezza Rice disse que Chávez é uma "força negativa" na região e tem um comportamento "iliberal", embora tenha sido eleito democraticamente.

Já o subsecretário de Estado para Assuntos Hemisféricos, Roger Noriega, afirmou que o cenário venezuelano "não é promissor".

Preocupação estratégica

Chávez está em uma aberta campanha para diversificar seus compradores de petróleo (60% das exportações venezuelanas vão para os "imperialistas ianques") e com ambições bolivarianas ele quer arquitetar alianças estratégicas em todas as partes do mundo contra o poder americano.

Na sexta-feira passada, por exemplo, Chávez recebeu em Caracas o presidente iraniano Mohammad Khatami e defendeu o direito de Teerã de desenvolver um programa nuclear, justamente agora que os EUA e a Europa Ocidental tentam abortar o projeto.

A maior preocupação estratégica em Washington é se Chávez realmente usará o poder do petróleo com vistas à enfraquecer os EUA, mas analistas citados na edição de terça-feira do Washington Post expressaram dúvidas se há condições para a Venezuela reduzir drasticamente o fornecimento de petróleo para os americanos.

Afinal é a grande fonte de subsistência do país e os preços mais altos do barril consolidaram o regime de Chávez.

E em Caracas, a retórica beligerante do presidente é amenizada por declarações mais pragmáticas, como a do ministro da Informação, Andrés Izarra, no sentido de que os EUA são o "nosso mercado natural de energia".

O relacionamento bilateral está mais azedo, mas ainda não é intragável.

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