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Bancos dos EUA ajudaram Pinochet a esconder dinheiro, diz Senado | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-presidente chileno Augusto Pinochet montou uma rede de contas bancárias para esconder pelo menos 18 milhões de dólares, com a ajuda de bancos americanos, afirmou um relatório do Subcomitê de Investigações do Senado dos Estados Unidos. A "rede" seria formada por 125 contas bancárias em pelo menos sete instituições baseadas ou representadas nos Estados Unidos. De acordo com os resultados da investigação, o ex-presidente chileno movimentou muito mais dinheiro e por muito mais tempo do que se acreditava até agora. Nessa tarefa de engenharia financeira, Pinochet teria contado com o apoio de instituições como o Banco Riggs de Washington. O Subcomitê de Investigações do Senado reuniu novas informações sobre o vínculo entre Riggs e Pinochet entre 1980 e 1998. "Este relatório demonstra que a relação entre o Banco Riggs Bank e Pinochet e sua família é muito mais extensa do que sabíamos", afirmou o chefe do subcomitê, o senador Carl Levin. 28 contas Segundo Levin, o ex-governante militar tinha 28 contas no Riggs, e não nove, como o banco havia reconhecido no ano passado, durante a primeira fase das investigações parlamentares. Vários militares chilenos tinham depósitos abertos que teriam servido para passar US$ 1,7 milhões às contas de Pinochet. O senador também levou uma lista com nomes dos 11 suspeitos que teriam sido usados por Pinochet para burlar os controles do sistema bancário americano. A maioria dos nomes seriam simples combinações do seu próprio nome, Augusto José Ramón Pinochet Ugarte. Segundo a investigação, Pinochet e sua família mantiveram negócios no Riggs durante 25 anos, enquanto o banco dizia que ele só havia sido seu cliente por oito anos. A documentação reunida pelos parlamentares indica que entre 1986 e 2004 altos funcionários do Riggs viajaram regularmente ao Chile para discutir o estado dos negócios de Pinochet. Levin também apresentou uma das cartas trocadas entre Pinochet e os diretores do Riggs, na qual o diretor Joseph Allbritton "se oferece para assistir o senhor e o seu país no que puder aqui em Washington D.C.". Mas o Riggs não foi a única instituição implicada no suposto esquema. O Citigroup e o Bank of America também teriam participado na criação da "rede". Apenas nos escritórios de Nova York e Miami do Citigroup, grupo ao qual pertence o Citibank, Pinochet e a sua família tinham 60 contas. Essas contas começaram a ser fechadas em 2000, em parte por pedido dos clientes ou do próprio banco. Embora diga que o Citigroup forneceu ao subcomitê todas as informações sobre os seus negócios com a família Pinochet nos Estados Unidos, o relatório afirma que o banco não lhe passou dados sobre as contas que o ex-governante chileno mantinha nas suas filiais no exterior. Informações sobre depósitos na Argentina, Ilhas Caimã, Bahamas, Chile, Suíça e o Reino Unido não podem ser apresentadas por razões de "segredo bancário", segundo o Citigroup. A investigação também envolve o Banco Spirito Santo, de Portugal, o espanhol Atlántico (parte do Banco Sabadell) e o Coutts and Co. International (filial do também espanhol Banco Santander). Depois de um ano de investigações pelo Departamento do Tesouro, o Riggs admitiu ter ocultado as contas e ter sido "negligente" ao verificar as origem dos fundos depositados. Com isso, o banco concordou em pagar mais US$ 16 milhões ao Fisco americano. O banco já havia sido obrigado a pagar multas de US$ 25 milhões em maio de 2004 por não impedir lavagem de dinheiro. O Riggs também aceitou pagar US$ 8 milhões às vítimas do regime militar chileno num processo que tramitava na justiça espanhola. As novas informações sobre as contas de Pinochet no exterior vêm à tona pouco depois da revelação de que o ex-presidente deixou de pagar US$ 17 milhões em impostos entre 1984 e 2004. |
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