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Para jornais da Itália, retirada do Iraque é tática eleitoral | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A imprensa italiana afirma nesta quarta-feira que a decisão do primeiro-ministro Silvio Berlusconi de retirar as tropas do Iraque a partir de setembro é uma tática eleitoral. Editoriais nos principais jornais da Itália compararam a situação de Berlusconi com a do premiê britânico, Tony Blair. Ambos enfrentam eleições em breve e se vêem diante de uma opinião pública profundamente hostil ao envolvimento militar no Iraque. O Corriere della Sera, de Milão, afirma que a decisão de Berlusconi pretende causar um efeito favorável imediato aos candidatos que apóiam a sua coalizão de centro-direita. Eleições locais Dentro de duas semanas, a Itália terá eleições locais, em que 40 milhões de eleitores poderão ir às urnas. A Itália tem o quarto maior contigente militar estrangeiro no Iraque. Caso retire os seus 3,3 mil soldados, o vácuo deixado pode ter de ser preenchido por tropas da Grã-Bretanha. As forças italianas estão baseadas no sul do país, região militarmente comandada pelos britânicos. O primeiro-ministro italiano conversou com Tony Blair antes de anunciar a sua decisão na TV, na noite de terça-feira. O jornal La Repubblica, de oposição, afirmou: "Tanto Berlusconi como Blair têm medo das urnas". Ambos, opina o diário, enfrentam o mesmo dilema: como acalmar a opinião pública com relação ao Iraque e ao mesmo tempo manter boas relações com os Estados Unidos e o presidente George W. Bush. Líderes da oposição italiana, sempre fortemente contrários à guerra no Iraque, elogiaram a decisão de Berlusconi, mas criticaram a forma como ele fez o anúncio – num programa de TV tarde da noite, em vez da tribuna do Parlamento. |
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