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Hitler testou pequena bomba atômica, diz historiador | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Um historiador alemão afirma em um livro lançado nesta segunda-feira que cientistas nazistas conseguiram testar uma pequena bomba atômica nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial. Rainer Karlsch, autor de A Bomba de Hitler, disse que nova pesquisa em arquivos soviéticos e ocidentais, e medições realizadas em um dos locais de teste forneceram provas da existência da arma. "A coisa importante no meu livro é a descoberta de que os alemães tinham um reator atômico perto de Berlim que funcionou por um breve período, talvez durante alguns dias ou semanas", disse Karlsch. "A segunda descoberta importante foram os testes atômicos realizados em Turíngia e no Mar Báltico." Karlsch diz que o que os alemães tinham era "uma arma nuclear tática híbrida" muito menor do que as lançadas nas cidades japonesas de Hiroshima e em Nagasaki. "Luz forte" O autor disse que o último teste, realizado em Turíngia, no dia 3 de março de 1945, devastou uma área de 500 metros quadrados, matando centenas de prisioneiros de guerra e detentos de campos de concentração. Segundo Karlsch, as armas nunca foram usadas porque os nazistas ainda não estavam prontos para produzi-las em massa. Havia ainda problemas nos sistemas de lançamento e detonação. "Nós não ouvimos falar disso antes porque apenas um pequeno grupo de cientistas estava envolvido, e muitos dos documentos se tornaram confidenciais depois de sua captura pelos aliados." "Eu encontrei os documentos em arquivos russos e ocidentais e em alemães privados." Um dos documentos é um memorando de um espião, apresentado a Josef Stalin poucos dias depois do último teste. O documento cita "fontes confiáveis" que mencionaram a ocorrência de "duas enormes explosões" na noite de 3 de março. Karlsch também menciona testemunhas alemãs dizendo que viram uma luz tão forte que, por um segundo, foi possível ler um jornal, acompanhado de uma lufada de vento repentina. As testemunhas, que foram entrevistadas sobre o assunto pelas autoridades da Alemanha Oriental em meados da década de 60, também tiveram sangramento no nariz, dores de cabeça e náusea pelos dias subsequentes. Karlsch fala ainda sobre as medições realizadas recentemente no local dos testes durante as quais foi constatada a presença de isótopos radioativos. Ceticismo O livro de Karlsch provocou grande interesse na Alemanha, mas também ceticismo. Há anos é sabido que os nazistas realizaram experiências nucleares, mas se acreditava que eles estavam longe de desenvolver uma bomba atômica. "As testemunhas que ele apresentou são pouco confiáveis ou não estão relatando informações de primeira mão; supostamente, documentos-chave podem ser interpretados de diversas maneiras", disse o semanário Der Spiegel. "Karlsch demonstra uma falta catastrófica de entendimento de física", escreveu o físico Michael Schaaf, autor de um livro anterior sobre experiências nucleares nazistas, no jornal Berliner Zeitung. Schaaf disse que embora Karlsch tenha mostrado que a pesquisa alemã sobre o urânio foi mais longe do que se acreditava, não havia uma bomba atômica alemã. O próprio Karlsch admitiu que não tinha prova absoluta de suas alegações, mas disse que esperava que seu livro levasse a mais pesquisas sobre o assunto. |
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