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Oposição libanesa diz que postura do Brasil é 'decepcionante' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente do partido oposicionista libanês Bloco de Resistência, Carlos Eddé, disse que a oposição libanesa se sentiu "abandonada" pelo Brasil e está "decepcionada" com as posições adotadas pelo país frente à crise envolvendo as tropas sírias. "Existe no Líbano uma sensação de abandono ou de decepção. O Brasil se absteve de votar na Resolução 1559 (do Conselho de Segurança da ONU), e isso quase impediu que a resolução passasse", disse. A resolução 1559, de setembro de 2004, pede que todas as forças estrangeiras deixem o Líbano. "Depois, houve a visita do Celso Amorim no mês passado ao Líbano e à Síria. A gente não entende por que uma visita para tratar de outros assuntos no meio desta crise", concluiu o político libanês, que é filho de uma brasileira e morou por quase 25 anos no Brasil. Eddé, cujo partido boicotou as últimas eleições no Líbano, diz que não vê justificativas para a "relação próxima" entre o Brasil e o governo sírio, que ele classifica de uma "ditadura stalinista". Petróleo "Como brasileiro, conseguiria entender esta relação caso houvesse alguma questão econômica. O Brasil já teve de manter relações com países complicados, como o Iraque e a Líbia, por causa do petróleo", disse. "No caso da Síria, esta questão econômica não justifica nada." O oposicionista diz que fez contatos com o governo brasileiro e que ouviu como resposta às suas críticas que "o Brasil também tem que entender o ponto de vista da Síria". "Talvez o Brasil seja hoje um dos poucos países que leva em consideração o ponto de vista da Síria na questão libanesa", disse. Eddé diz não entender a posição do governo brasileiro também porque o país é "o favorito de muitos libaneses". "Poucas famílias aqui não têm algum parente que não tenha emigrado para o Brasil." Resposta brasileira Segundo o ministério de Relações Exteriores, "o Brasil vem procurando estimular a Síria ao cumprimento da resolução 1559, e a ida (das tropas sírias) ao Vale do Bekaa é um passo importante, mas não suficiente no caminho do cumprimento da resolução da ONU". Em uma nota oficial divulgada no último domingo sobre o assunto, o Itamaraty também observa que, "de maneira mais ampla, o Brasil apóia a retirada de tropas estrangeiras de áreas ocupadas, em conformidade com as decisões pertinentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas", uma possível referência à ocupação israelense nas Colinas do Golã, na Síria. "O Brasil se absteve (de votar na Resolução 1559) por diferentes razões, incluindo objeções ao texto, mas, no momento em que a decisão foi adotada, ela passa a fazer parte do direito internacional e tem de ser cumprida. Esta é a posição que o Brasil vem mantendo no Conselho de Segurança, cuja presidência o país assumiu este mês", informou o ministério. O Itamaraty também disse que o assunto foi tratado pelo ministro Celso Amorim não só nos recentes encontros com os presidentes do Líbano e da Síria como também em todos os outros encontros mantidos recentemente no Oriente Médio. |
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