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Atualizado às: 09 de março, 2005 - 01h27 GMT (22h27 Brasília)
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Mundo árabe pode adotar democracia aos poucos

Manifestação no Líbano
O povo libanês mostra seu poder nas ruas
As eleições no Iraque e nos territórios palestinos e a "revolução do cedro" no Líbano (numa referência à bandeira do país) mostram que eventos estão em marcha no Oriente Médio. Ninguém, contudo, pode dizer o quão longe eles vão.

Parece improvável, no momento, que produzam o tipo de revolução que varreu governos comunistas na Europa Central e do Leste.

Elas levaram ao estabelecimento de democracias que, desde então, vêm assumindo seus lugares na União Européia.

O Oriente Médio é, provavelmente, amplo e diversificado demais para este tipo de transformação rápida.

Mas, com certeza, a onda democrática está se propagando.

"A região inteira está em agitação", diz Rosemary Hollis, chefe do programa de Oriente Médio do Real Instituto para Assuntos Internacionais em Londres.

"É um jogo perigoso, mas é muito interessante e os maiores perdedores serão os regimes."

As causas das mudanças provocam debate e seus efeitos são imprevisíveis.

Bush

O presidente americano, George W. Bush, reivindica muito crédito. Ele não falou principalmente de democracia antes de realizar a invasão do Iraque.

No dia 26 de fevereiro de 2003, pouco antes da invasão, Bush disse: "Um Iraque libertado pode mostrar o poder da liberdade de transformar aquela região vital."

Desde então, ele tem sido mais ambicioso e apresentou uma estratégia para transformar o que chama de "Grande Oriente Médio".

Em novembro de 2003, o presidente americano explicou isto dizendo: "Os Estados Unidos adotaram uma nova política, uma estratégia avançada de liberdade no Oriente Médio. Como na Europa, na Ásia, e em todas as regiões do mundo, o avanço da liberdade leva à paz."

Apoio

E Bush está conseguindo algum apoio.

"As pessoas estão fazendo a si mesmas, nervosamente, a pergunta: Será que (o presidente Bush) pode estar certo? A resposta imediata é 'sim'", escreveu Fareed Zakaria, autor de um artigo na revista Newsweek.

"Bush nunca aceitou a visão de que o terrorismo islâmico tem suas raízes na religião ou na cultura ou no conflito árabe-israelense."

"Ao invés disso ele tendeu para uma análise de que a região estava alimentando o terror porque desenvolveu profundas distorções causadas por décadas de repressão e uma falta quase total de modernização política, econômica e social", escreveu Zakaria.

"Muro de Berlim"

O líder druzo libanês, Walid Jumblatt, disse ao jornal americano Washington Post: "Eu era cínico em relação ao Iraque. Mas quando eu vi o povo iraquiano votando há três semanas, oito milhões de pessoas, era o começo de um novo mundo árabe."

"O povo sírio, o povo egípcio, todos dizem que alguma coisa está mudando. O Muro de Berlim caiu. Nós podemos ver isto."

E lembre-se de que Jumblatt uma vez usou estas palavras para descrever a ocupação americana do Iraque e a ocupação israelense da Faixa de Gaza: "Nós ficamos felizes quando um soldado americano é morto. E a queda de um judeu, seja soldado ou civil, é uma grande realização."

Céticos e cínicos

Mesmo analistas céticos em relação à política americana como Rosemary Hollis admitem o impacto do Iraque.

"O uso de força pelos Estados Unidos no Iraque chamou atenção. O programa de reformas na região da União Européia foi muito gradativo. Seria triste concluir que os Estados Unidos estavam certos e isto não é tão simples. Provavelmente teremos uma (mudança) gradativa mais rápida, mas não revolução", disse Rosemary Hollis.

Alguns são cínicos em relação às atitudes americanas e consideram a política de propagar "liberdade e democracia" no Oriente Médio como quase uma forma de justificar intervenção.

Khader Khader, um analista junto ao grupo palestino Centro de Comunicações e Mídia de Jerusalém, remonta a política americana a um documento emitido em 1996 de neoconservadores americanos, liderados por Richard Perle, intitulado "Clean Break: A New Strategy for Securing the Realm".

O documento falou sobre o reordenamento do Oriente Médio com frases como: "Israel pode moldar seu ambiente estratégico, em cooperação com a Turquia e a Jordânia, enfraquecendo, contendo e até provocando o recuo da Síria."

Tais comentários levaram Khader, em um artigo sobre a fragmentação do mundo árabe para um website conjunto de palestinos e israelenses chamado bitterlemons.org, a concluir: "O resutlado das convulsões sociais provocadas pela doutrina do Clean Break seria um novo Oriente Médio, com Israel hegemônico na região, presidindo sobre uma série de Estados recém-balcanizados liderados por testas-de-ferro."

Quer a política americana seja vista como benigna ou maligna, algo está acontecendo que merece ser observado.

Exemplo

Pouco depois da queda do Muro de Berlim, houve movimentação pela reunificação da Alemanha. A questão era quando isto poderia acontecer.

Em uma visita a Berlim Oriental, eu e outros correspondentes encontramos um diplomata britânico pouco aprumado que passava a maior parte de seu tempo nas ruas.

Ele previu que a Alemanha Oriental iria se esfacelar dentro de um ano.

Seu chefe, o embaixador, um homem apresentável que parecia passar a maior parte do tempo dentro da embaixada, não acreditava em nada disso.

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