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Análise: Palestinos conseguem apoio após encontro em Londres | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Na fortaleza improvisada que normalmente é usada como centro de conferências em Londres onde participou de uma conferência nesta semana, o líder palestino Mahmoud Abbas conseguiu as promessas de apoio que esperava – e em troca fez as promessas também esperadas de paz e bom governo. O governo britânico, que organizou o encontro, ficou suficientemente satisfeito. O porta-voz do Ministério do Exterior John Williams, que, quando era jornalista em outros tempos, gostava do inesperado, mostrou que agora é um diplomata e elogiou o planejamento do encontro. “As conversas estão andando como previmos”, disse Williams durante um intervalo da conferência. “E, enquanto elas estiverem dentro do previsto, estarão indo bem.” De antemão Elas foram bem. Na verdade, o comunicado final já havia sido escrito anteriormente. Um amigo que compunha uma das delegações nacionais participantes me entregou uma cópia por volta do meio-dia. O documento permaneceu inalterado. Até aqui, portanto, tudo bem. Agora vem a parte difícil: colocar Israel e a Autoridade Palestina em uma posição na qual terão que negociar de verdade e então fazê-los chegar a um acordo. Estes momentos ainda estão consideravelmente longe. Em primeiro lugar, os compromissos assumidos pelos dois lados vão ter que ser cumpridos. Terá que haver paz e tranqüilidade. Israel terá então que sair, como planejado, da Faixa de Gaza e de partes da Cisjordânia. Isto não vai começar até julho. Daí o velho plano para a paz apoiado pelos Estados Unidos terá que sair da prateleira. E finalmente as velhas questões – as pedras nas quais esperanças se despedaçaram anteriormente – vão ressurgir. Começo O que tivemos em Londres foi um começo. “Pedras fundamentais”, como disse Tony Blair. Mas isto não é tudo. O projeto do edifício ainda existe, em um rascunho vago. Mas nada foi acertado de forma detalhada. E os detalhes são tudo. Também houve novas palavras. Todos condenaram o ataque a bomba suicida na semana passada em Tel Aviv, por exemplo, com Abbas até mesmo chamando o caso de terrorismo. Uma linha a respeito disso foi acrescentada ao comunicado final sem contestação. Eu notei que Abbas recebeu a cortesia de ser chamado de "presidente" pelos representantes dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha. Yasser Arafat só era chamado de "chairman" (que também pode ser traduzido como presidente, mas acarreta um tom menos solene). Palavras são importantes na diplomacia. Elas são os sinais que os governos usam para confirmar ou mudar políticas. Quando a palavra “terrorismo” é usada para descrever um ataque a bomba palestino, você sabe que algo está mudando. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, usou outra expressão útil. “Um Estado de territórios espalhados não vai funcionar”, disse Rice sobre uma futura Palestina, em um aviso a Israel para que não restrinja demais o território de que está disposto a abrir mão. Ela estava tão satisfeita com a frase que conseguiu que o chamado “Quarteto” que supostamente fiscaliza o processo de paz (EUA, União Européia, Rússia e ONU) a incluísse em seu próprio comunicado. Um esforço assim dos americanos também é importante. Otimismo e cautela Eu fiquei espantado com o otimismo nos corredores e nas salas de reunião. Abbas trouxe uma mudança. A comissária de Assuntos Externos da União Européia, Benita Ferrero-Waldner, deu um soco no ar quando declarou aos jornalistas: “Este momento não pode ser perdido”. A União Européia tem direito a dizer isto. Ela deu 2 bilhões de euros para os palestinos desde 1994. Mais está a caminho. Mas também fiquei impressionado com os comentários do príncipe Turki al-Faisal, o embaixador saudita em Londres. “Já estivemos aqui antes”, disse ele. “Devemos manter os pés no chão.” Esta não foi uma sessão de negociação – Israel, por escolha própria, não estava presente. O mais próximo de uma representação israelense era o correspondente da Rádio Estatal de Israel em Londres, Jerry Lewis. Ele também tinha palavras de cautela. “Por enquanto isto está ok”, disse ele. “Agora os palestinos precisam cumprir sua parte.” Acordos Talvez o acordo mais importante a emergir do encontro tenha sido a criação de um grupo de segurança multinacional liderado pelo novo coordenador de segurança americano, general William Ward. A Grã-Bretanha, o Egito e a Jordânia estarão entre os integrantes. Este grupo vai assessorar, treinar e ajudar de forma geral os palestinos em seu trabalho de reduzir as suas forças de segurança de 13 entidades separadas para 3. Mas o grupo também vai ajudar a garantir que a Autoridade Palestina tenha controle sobre os militantes. Outro acordo prevê ajuda para aposentar a velha guarda das forças palestinas. Isto parece modesto, mas na verdade é bastante importante, pois vai ajudar a tirar esta velha guarda de cena. E uma mudança de guarda era a que este encontro se referia. |
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