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Lula diz que o Brasil 'não é terra de ninguém' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que o Brasil "não é terra de ninguém" e que o assassinato da missionária americana Dorothy Stang foi uma reação à política do governo brasileiro para regulamentar a exploração da madeira no Pará. As declarações foram feitas durante discurso proferido pelo presidente na cerimônia de inauguração do Programa Luz para Todos no assentamento Geraldo Garcia, em Sidrolândia (MS). "A morte da freira e dos sindicalistas é uma atitude pensada de alguns empresários do setor madeireiro que estão revoltados com a política que nós estamos fazendo no Estado do Pará", disse Lula. "Nós agora estamos também dizendo que o Estado brasileiro vai certificar as nossas florestas e quem quiser cortar madeira vai ter que ter autorização do Estado brasileiro." Glebas de terra A freira Dorothy Stang foi morta no último dia 12 em Anapu, no Pará, em um crime que está tendo repercussão internacional. O crime teria sido encomendado por um fazendeiro, que teria contratado pistoleiros para matar a freira, de acordo com investigações da polícia. O mandante está foragido. Lula disse que é preciso "acabar com essa história de empresários - alguns empresários, é verdade - comprarem glebas de terras de milhares de hectares em algumas regiões mais distantes do nosso país, contratar jagunço e mandar matar quem está lá organizado, como estavam os trabalhadores rurais". "Porque o Brasil não é terra de ninguém”, afirmou o presidente. Críticas "Esse país tem governo, tem lei, e a lei vale para o presidente e vale para pistoleiro." Na semana passada, duas ONGs internacionais de defesa dos direitos humanos afirmaram à BBC Brasil que a morte da freira Stang é, em parte, culpa da negligência do governo brasileiro em apurar casos semelhantes no passado. "É uma longa história de negligência dos governos estadual e federal e também das autoridades jurídicas", disse Tim Cahil, porta-voz da Anistia Internacional. Na opinião de Reed Brodie, diretor da Human Rights Watch, a impunidade "no passado" leva a um ambiente em que a violência é tolerada. |
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